Yara inaugura unidade atenta a novas aquisições no país

Depois de ter comprado os ativos remanescentes da área de fertilizantes da Vale em Cubatão (SP), no fim de 2017, a multinacional norueguesa Yara não descarta novas aquisições no país. O que move a empresa é a avaliação de que ainda há espaço para crescer no mercado brasileiro. "O país é a grande potência agrícola do mundo", afirmou o presidente da Yara Internacional, Svein Tore-Holsether ao Valor, hoje, após inauguração do complexo industrial da empresa em Sumaré (SP).

A múlti já é líder no mercado brasileiro com cerca de 25% de participação num segmento que, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), movimentou 34,4 milhões de toneladas em 2017. Somente para manter a fatia de mercado e a produtividade no país, a Yara, em média, investe US$ 150 milhões por ano.

Em entrevista ao Valor em novembro de 2017, Lair Hanzen, vice-presidente executivo da Yara International e presidente da Yara Brasil, admitiu que a empresa poderia avaliar ativos da Petrobras no segmento de adubos nitrogenados, que estão à venda.

Na visão de Tore-Holsether, a compra das operações de fertilizantes da Vale em Cubatão, por US$ 255 milhões, é um ótimo exemplo de como novos ativos no Brasil permanecem no radar da norueguesa, que vende globalmente cerca de 35 milhões de toneladas de adubo.

A expectativa da Yara é que a compra dos ativos da Vale seja aprovada ainda neste semestre pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Apenas nos ativos de Cubatão, a Yara deve investir US$ 80 milhões até 2020 em melhorias.

Enquanto não faz novas aquisições, a empresa segue ampliando a capacidade produtiva no Brasil. A unidade inaugurada ontem, que demandou investimentos de R$ 100 milhões, é a primeira fábrica de fertilizantes foliares e micronutrientes da Yara fora da Europa. Essa categoria de movimentou um volume ao redor de 516,6 mil toneladas em 2017, 1,5% do mercado total brasileiro de adubos.

Segundo o presidente da Yara Brasil, o plano é dobrar a participação nesse mercado em três anos. De acordo com Hanzen, as vendas no país totalizaram 10 milhões de litros no ano passado, 35% do total de adubos foliares e de micronutrientes que a Yara vende no mundo. Atualmente, toda a matéria-prima usada nas misturas é importada.

A fábrica de Sumaré tem capacidade total para produzir 20,8 milhões de litros por ano e deve atingir 50% da capacidade até o fim de 2018. Até 2020, a Yara deve vender 20 milhões de litros de fertilizantes foliares no país.

A área produtiva da nova unidade tem 7,2 mil metros quadrados. Para comandar uma linha de produção que envasa 7,2 mil litros por hora são necessários apenas 11 operadores. Inicialmente, a planta vai produzir quatro fórmulas – três produtos foliares e um micronutriente -, mas já tem capacidade operacional para mais de 30 produtos.

Hanzen também afirmou que o orçamento inicial para a duplicação do parque fabril de Rio Grande (RS) foi elevado de R$ 1,3 bilhão para R$ 1,5 bilhão. A primeira fase do projeto deve ser inaugurada em julho.

valor.com.br

Matéria sobre a disputa da família Galvani com a Yara em ww.valor.com.br/u/5385821

A jornalista viajou a convite da Yara

Por Kauanna Navarro | De Sumaré (SP)

Fonte : Valor

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