VOZES DO AGRO – Conselho Nacional do Café (CNC) completa 40 anos de história

Presidente destaca que entidade trabalha em benefício do cafeicultor e foi uma das responsáveis pela constituição do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé)

O Conselho Nacional do Café (CNC) completa 40 anos de existência e de trabalho persistente na defesa da renda dos cafeicultores. Criado em 1981, por iniciativa de vários líderes da cafeicultura nacional, o CNC é o principal fórum privado de discussão da política cafeeira nacional, congregando as maiores cooperativas, associações de cafeicultores e lideranças de diversas origens do país.

A base de sustentação do CNC é a força do cooperativismo do setor café. Nesses 40 anos, o CNC esteve ao lado do cafeicultor durante diversas crises, construindo soluções racionais e viáveis para a defesa da renda do segmento da produção cafeeira junto a parlamentares e ao governo.

A entidade se adaptou e participou ativamente do processo de transição de um ambiente regulado para o livre mercado, sempre defendendo os interesses dos cafeicultores e promovendo a pesquisa, para viabilizar as inovações tecnológicas que levaram aos substanciais saltos de produtividade que colocam a cafeicultura brasileira na vanguarda da competitividade mundial.

Vozes do Agro - CNC (Foto: Estúdio de Criação)

Foram muitas lutas e inúmeras conquistas, dentre as quais a constituição do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), um verdadeiro banco da cafeicultura nacional, que exerce papel primordial no ordenamento da oferta de café, viabilizando a estocagem e a escolha do melhor momento para colocar o produto no mercado, preservando a renda do produtor.

Os orçamentos crescentes do Funcafé disponibilizados à cadeia produtiva são fruto de uma gestão eficiente por meio do Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC), do qual o CNC participou ativamente da criação e é membro, atuando incansavelmente como um guardião do Funcafé, para preservar seus recursos para as futuras gerações de cafeicultores.

Além de garantir o suporte indispensável do Funcafé ao segmento da produção, o CNC foi protagonista no desenho e lançamento de instrumentos de política agrícola essenciais para a proteção da renda dos cafeicultores nos momentos de crises, decorrentes do desequilíbrio entre a oferta e a demanda de café.

Ao longo dos anos 2000, as opções públicas e o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) foram fundamentais para o suporte dos preços pagos aos cafeicultores, e o CNC esteve presente em todas as etapas desses processos.

Outra consequência dos momentos de crise, com preços desvalorizados, foi o estrangulamento da capacidade de pagamento dos cafeicultores. Para socorrer o segmento da produção, criando condições para que os compromissos financeiros fossem honrados, o CNC propôs ao governo, através de ações parlamentares, e teve sucesso na disponibilização de vários programas de prorrogação de financiamentos, alongamento e renegociação de dívidas, tais como: Securitização, Recoop, Pesa, entre outros, beneficiando diretamente os produtores de café.

Fora do Brasil, ao longo de sua história, o CNC tem sido a voz dos cafeicultores brasileiros na Organização Internacional do Café (OIC). Como membro da Junta Consultiva do Setor Privado da OIC, o Conselho atua na interlocução com os representantes das cadeias café dos 75 países membros da Organização.

"O CNC foi protagonista no desenho e lançamento de instrumentos de política agrícola essenciais para a proteção da renda dos cafeicultores nos momentos de crises, como o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro)"

Silas Brasileiro

Em todas as oportunidades, virtuais ou presenciais, na sede da OIC ou da Comissão Europeia, o CNC mostra como o Brasil produz dentro do princípio da sustentabilidade, reforçando uma imagem positiva de nossa cafeicultura. Visando à modernização da OIC, o CNC está ajudando a construir o novo Acordo Internacional do Café e um modelo de governança onde o setor privado tenha mais participação na Organização, a exemplo da Força Tarefa Público Privada do Café.

Nessa instância, o CNC participa de vários grupos de trabalho, reforçando a importância da construção de um amplo programa internacional para a promoção do consumo de café, com foco nos países produtores e mercados emergentes.

Sempre se adaptando aos novos cenários e tendências, o CNC também se reinventou, comemorando seus 40 anos com a implantação de um planejamento estratégico inovador, que inclui o estabelecimento de uma nova governança institucional.

A partir de 2021, o CNC continuará trabalhando para uma cafeicultura mais competitiva, integrada e sustentável, agora contando com quatro comitês técnicos nas áreas de Sustentabilidade, Pesquisa & Tecnologias, Estatísticas e Comunicação.

Reunindo profissionais qualificados de suas cooperativas associadas e com vivência no dia a dia do negócio café para a construção de projetos, estratégias e parcerias nessas áreas prioritárias para a cafeicultura brasileira, o CNC se fortalece e cria os fundamentos para seus próximos 40 anos de história. Sempre com foco na renda do cafeicultor.

*Silas Brasileiro é presidente do Conselho Nacional do Café (CNC)

As ideias e opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do seu autor e não representam, necessariamente, o posicionamento da Revista Globo Rural.

SILAS BRASILEIRO*

Fonte : Globo Rural

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