Vivência desde o plantio até o consumo dos alimentos

A bordo do ônibus da linha Turismo de Porto Alegre pela Zona Sul ou visitando um dos empreendimentos do roteiro Caminhos Rurais, é possível conhecer parte da produção agrícola da cidade e aprender sobre agroecologia e criação animal. Há, ainda, eventos em época de colheita e de Páscoa, como as festas da Uva e da Ameixa e a mais antiga do município, a Feira do Peixe.

Essa aproximação entre o urbano e o rural é fomentada pelo escritório municipal da Emater, que assessora empreendedores a estruturarem a produção e a desenvolverem produtos turísticos. Luís Paulo Vieira Ramos, extensionista da Emater, reforça que "o turismo rural é uma atividade a mais na propriedade, caso contrário, torna- -se um turismo de contemplação", sem valorizar a cultura do rural.

Entre os assessorados está Gabriel Malinski, 21 anos, da Chácara Malinski, no bairro Lageado.

Em uma área da propriedade, ele começa a colocar em prática o que aprendeu na faculdade sobre gestão ambiental. Reformou galpão e organizou espaços para receber grupos de alunos e famílias para turismo rural, pedagógico e vivência. As atividades incluem trilha, plantio de árvores e palestra.

A ideia de disseminar informações sobre o ciclo produtivo dos alimentos começou com a mãe, Alessandra, falecida há seis anos.

Na época, a decisão foi manter a propriedade aberta a visitas. Hoje, o jovem conduz os grupos junto com o pai, Ezequiel, compartilhando conhecimentos sobre os cultivos e a importância da agroecologia.

Gabriel também instalou uma horta ecológica, onde não aplica agrotóxicos, ao lado da produção convencional mantida pelo pai.

Mas, por não ser certificada, os alimentos não podem ser classificados como orgânicos.

Na parte da chácara cultivada por Ezequiel, que divide, ainda, os cerca de oito hectares da propriedade com outros membros da família, os principais produtos são alface, rúcula, salsa, cebolinha e couve-verde. Planta, também, rabanete, beterraba, tomate, cenoura, mostarda e chicória. Os alimentos são vendidos na própria propriedade e enviados para lancherias, restaurantes, supermercados e revendedores.

Apesar da pouca idade, Gabriel já traçou planos futuros, que incluem a instalação de um túnel verde e a adoção de colha e pague, horta vertical e jardim sensorial. O planejamento, em 10 anos, é tornar rotineiras as visitas à chácara, com uma boa estrutura, incluindo o pomar consolidado, para oferecer aulas teóricas e vivências sobre plantio, colheita, higienização e consumo dos alimentos.

"Aos poucos, meu pai vai confiando mais, porque estou conseguindo valorizar a terra, vendo que estou empenhado. Hoje, é um pequeno espaço, mas tenho noção que, seguindo a lei da vida, as terras que são do meu pai serão cuidadas por mim, já que minha irmã trabalha em outra área", finaliza Gabriel.

Fonte: Jornal do Comércio