Vistorias do seguro agrícola atrasam e ampliam perdas na soja

Após danos com a estiagem, produtores acumulam prejuízos enquanto esperam por peritos
Já comprometida no Rio Grande do Sul devido à estiagem, a produção de soja pode ser ainda mais afetada no Estado por dificuldades extras geradas pela pandemia do coronavírus. Agricultores com o grão pronto não podem fazer a colheita, em alguns casos, antes da vistoria que indicará o volume de perdas com a falta de chuva e cujo índice servirá para produção dos laudos do seguro agrícola.Com o deslocamento de peritos restrito na Emater aliado à alta demanda no Rio Grande do Sul, a soja está secando ainda mais nas lavouras e ampliando os danos especialmente a quem utilizou recursos do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).

Nesta terça-feira, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag) e a Secretaria da Agricultura encaminharam, separadamente, solicitações ao Ministério da Agricultura pedindo para que facilite o processo federal e flexibilize as regras do programa.

Os pedidos incluem autorizar que agentes financeiros aceitem laudos municipais ou locais de dentro dos municípios para o encaminhamento dos processos, dispensando os laudos presenciais.

“Há lavouras prontas, com a vagem sob o sol e que não podem ser colhidas antes de um técnico ir ao local e fazer a vistoria do seguro. A vagem já está abrindo e derrubando o grão no solo, ampliando perdas que já eram grandes”, critica o presidente da Fetag, Joel da Silva.

Em conjunto com a Emater, o governo do Estado também solicitou à ministra da AgriculturaTereza Cristina, que simplifique a metodologia das perícias do Proagro sem prejudicar os direitos dos agricultores atingidos pela estiagem.

A proposta encaminhada pelo secretário da Agricultura do Estado, Covatti Filho, inclui de forma emergencial a liberação para que os agricultores possam colher as lavouras de imediato, posteriormente, utilizando dados municipais ou regionais para quantificar as perdas que serão encaminhadas no seguro rural.

Presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Gedeão Pereira também alerta para os prejuízos desnecessários que estão se acumulando aos já combalidos ganhos do produtor com a falta de chuva. “Estamos em plena colheita, e o trabalho não pode parar. Apesar de algumas dificuldades para reposição de peças e concerto de máquinas, o trabalho segue normalmente, mas para quem depende da vistoria da Emater, no caso do Proagro, isso tem de ser acelerado”, alerta o presidente da Farsul.

Fonte: Jornal do Comércio