Vinícolas gaúchas apostam em produtos de alto valor agregado

Por Sérgio Ruck Bueno | Para o Valor, de Porto Alegre

Divulgação

Carlos Paviani, da Ibravin: cooperativas são um fator de equilíbrio do preço da uva para o agricultor e a indústria

Responsáveis por uma parcela crescente dos vinhos, espumantes e sucos de uva elaborados no Rio Grande do Sul, as cooperativas vinícolas ganham espaço no mercado com investimentos em modernização, desenvolvimento de produtos de alto valor agregado e capacitação dos agricultores associados. Com marcas reconhecidas como Aurora, Garibaldi e Nova Aliança, elas ampliaram de 20% para 30% desde 2005 a participação na produção gaúcha do setor, que alcança 350 milhões de litros anuais em média, e a fatia pode chegar aos 35% até 2020.

A expansão do segmento no Estado, que responde por 90% dos vinhos finos e espumantes produzidos no país, acompanha um processo de consolidação e associação entre as cooperativas. Conforme o diretor executivo da Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho), Hélio Marchioro, o número de filiadas caiu de 23 para seis nos últimos quinze anos com a extinção ou fusão de algumas operações, mas a soma de produtores associados permanece em 4,8 mil, de um total de 14,4 mil viticultores gaúchos.

A Nova Aliança é um exemplo dessa tendência. Criada em 2011 a partir da fusão de cinco cooperativas interessadas em ampliar a capacidade de investimentos, ela aumentou a produção de suco de 4 milhões de litros à época para 19 milhões de litros no ano passado graças à construção, em 2014, de uma unidade industrial com aportes de R$ 100 milhões em Flores da Cunha, lembra o presidente Alceu Dalle Mole.

Nesses sete anos, o número de associados cresceu 10%, para mais de 800, e o recebimento de uvas aumentou de 32 mil para 38 mil toneladas por safra. Ao mesmo tempo, a Nova Aliança reduziu as linhas de vinhos a granel e expandiu as de vinhos e espumantes finos, para mais de 2 milhões de litros por ano, e deve fechar 2017 com faturamento de R$ 180 milhões, 12,5% a mais do que no ano passado e o triplo das receitas das cinco cooperativas originárias em 2010.

Para os produtores associados, as cooperativas oferecem garantia de recebimento da safra, participação nos resultados, sistemas de compras coletivas de insumos e assistência técnica. O presidente da Fecovinho e da cooperativa Garibaldi, Oscar Ló, entende que isso fortalece toda a cadeia vitivinícola, enquanto o diretor de assuntos institucionais do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Carlos Paviani, vê o sistema como fator de equilíbrio do preço da uva devido ao interesse em remunerar adequadamente o agricultor sem perder a competitividade na industrialização de derivados.

A Garibaldi passou por uma crise severa de endividamento na década de 1990, mas, de acordo com Ló, nos últimos 15 anos deixou de ser focada na elaboração de vinhos a granel e de mesa e transformou-se em uma forte produtora de sucos e espumantes finos. Essas duas linhas respondem hoje por 70% da receita bruta que deve alcançar R$ 133,5 milhões em 2017, com alta de 10% a mais sobre 2016.

Segundo Oscar Ló, há cinco anos consecutivos a cooperativa distribui participação nos resultados às 400 famílias associadas e segue investindo em modernização e aumento de capacidade industrial. Nos últimos três anos foram aplicados R$ 10 milhões e em 2016 a cooperativa produziu 13,5 milhões de litros de derivados.

A Aurora, de Bento Gonçalves, também enfrentou uma crise de endividamento no fim dos anos 90, mas hoje é a maior vinícola brasileira em volume de produção. "Saímos [da crise] com gestão, uma política de forte redução de custos e foco em produtos de alto valor agregado", explica o diretor geral Hermínio Ficagna.

Neste ano, foram produzidos 55 milhões de litros de produtos, sendo 35 milhões de litros de suco e 20 milhões de litros de vinhos e espumantes, alta de 5% sobre 2016. O faturamento deve chegar a R$ 546 milhões, ante R$ 520 milhões em 2016. De 2013 a 2016 a cooperativa já acumula resultados positivos de R$ 127 milhões, mais do que a soma dos 20 anos anteriores.

Fonte : Valor

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