Vignis espera receita de cerca de R$ 50 milhões este ano

A aposta no desenvolvimento de biotecnologia para tirar a produtividade da cana de anos de estagnação já permitiu à Vignis melhorar seus resultados financeiros e, mais do que isso, abriu as portas para projeções de forte crescimento.

Nascida há cinco anos, a empresa de melhoramento genético convencional de cana vem desde 2015 ampliando o plantio com suas variedades de "cana energia" (mais fibrosa e com maior adensamento nas lavouras que a cana comum), que avançou 66% no ano passado, para 3,2 mil hectares. A empresa, criada por ex-fundadores da Canavialis (vendida à Monsanto em 2008), também passou a fornecer biomassa para indústrias de diferentes setores que utilizam essa matéria-prima para gerar eletricidade em seus parques.

Esses dois ramos de negócio fizeram as receitas da Vignis crescer 19% em 2015, para R$ 6,7 milhões, e permitiram que seu patrimônio líquido mais que duplicasse, encerrando o último ano em R$ 54 milhões. A valorização dos ativos biológicos se refletiu no crescimento do lucro líquido (sem efeito caixa) de 41%, que totalizou R$ 41,2 milhões.

"Já adianto que o balanço de 2016 será melhor, porque vai ter impacto muito importante do valor do ativo biológico", disse Luis Claudio Rubio, presidente da Vignis. Apenas os projetos com os quais a empresa já está comprometida devem impulsionar a receita para cerca de R$ 50 milhões neste ano, a R$ 130 milhões em 2017 e a R$ 350 milhões em 2018.

Até o fim do ano, a Vignis terá em seus domínios 10 mil hectares de área plantada com cana energia. Além disso, a empresa opera desde agosto sua unidade de produção de biomassa para atender a fábrica da Caramuru em Itumbiara (GO). É a segunda planta de biomassa da Vignis. A primeira foi inaugurada um ano antes, em São Simão (GO) para atender outra fábrica da Caramuru.

Para cumprir os contratos de fornecimento de cana energia atuais, a Vignis terá que expandir seu cultivo para mais de 20 mil hectares já em 2017 e para mais de 25 mil hectares em 2018.

Mas a companhia também vem investindo em novos produtos. Neste ano, já obteve a aprovação de mais duas variedades protegidas junto ao Ministério da Agricultura, somando agora nove variedades protegidas. "No próximo ano devemos ir para umas 15 variedades protegidas", afirmou Rubio.

Em 2015, a companhia fez um investimento de (Capex) de R$ 25 milhões. E esses aportes vêm elevando os encargos financeiros da Vignis. No ano passado, as despesas financeiras (com juros sobre empréstimos, multas e despesas bancárias) crescerem mais de 10 vezes em relação a 2014, enquanto o endividamento líquido aumentou mais de seis vezes, para R$ 6,9 milhões.

O perfil desse endividamento também representa uma pressão maior sobre o caixa da Vignis. A dívida no curto prazo somava no fim do ano passado R$ 3,3 milhões, quase 50% de toda a dívida bruta da companhia. No fim de 2014, o endividamento de curto prazo era de apenas R$ 570 mil.

 

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte: Valor

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