Vespas põem Bug em lista de inovadoras

A ideia de Diogo Rodrigues Carvalho de controlar as principais pragas das lavouras comerciais por meio de insetos surgiu quando ele era aluno do curso de mestrado da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba (SP). Há dez anos e junto com dois sócios, ele criou a Bug Agentes Biológicos com esta finalidade, mas nunca supôs que a empresa fosse parar na lista das empresas mais inovadoras do mundo de acordo com a Fast Company, conceituada revista norte-americana com foco em inovação, tecnologia, liderança, entre outros.

O resultado, que saiu no início desta semana, classificou a Bug como a 33ª empresa mais inovadora do mundo e a primeira do Brasil. A publicação acompanhou por dois anos o trabalho da Bug Agentes Biológicos para chegar a esta conclusão.

O diretor Diogo Rodrigues atribui o título à produção de vespas do gênero Trichogramma spp, que combate lagartas em plantações de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. A capacidade diária de produção é de 133 milhões destes insetos, que são multiplicados em laboratório por meio de ovos de traças presentes em grãos. As vespinhas são despachadas para todo o Brasil, e o diretor calcula que elas atuam em 500 mil hectares, por safra, atendidos pela empresa.

Para a viagem, elas vão em forma de pupa (estágio intermediário entre as fases de larva e adulta), acomodadas em cápsulas dentro de cartelas. "Os insetos são enviados para o cliente dois dias antes do nascimento", explica Diogo. O milheiro delas custa entre 18 e 24 centavos.

Quando soltas, elas impedem o nascimento das lagartas e dão origem aos novos descendentes que vão somar esforços na atuação contra as pragas. A trichogramma spp é um dos insetos produzidos pela empresa (o outro é a Cotesia flavipes que serve no controle da broca da cana), que integram o Manejo Integrado de Pragas (MIP), programa criado na década de 1970, como alternativa à diminuição do uso de pesticidas, cujo mercado movimenta US$ 7 bilhões no Brasil.

Segundo dados da Esalq, o MIP proporciona economia de R$ 260 milhões, por ano, com a redução de perdas e custo de produção nas principais lavouras. Apesar do sucesso, a tecnologia é empregada em apenas 10% da área plantada de grãos no país.

Fonte:  Valor | Por Janice Kiss | De São Paulo

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