Venture capital busca aquisições no agronegócio

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Pedro Dusso, CEO da Aegro: "Percebemos que existia uma demanda por uma forma melhor de gerenciar os dados"

Com soluções que incluem sistema de gestão para fazendas, monitoramento de lavouras e controle de pragas, as startups do agronegócio brasileiro, conhecidas como agritechs ou agtechs, entraram de vez no radar dos fundos de venture capital. Ainda que de maneira tímida em comparação a empresas novatas de outros setores, os negócios dão sinais de maturidade, segundo investidores. Prova disso é o aumento na quantidade de startups que batem à porta dos grandes fundos em busca de recursos para a operação.

Entre 2007 e 2014, a gestora SP Ventures – cujo fundo tem uma tese de investimento dedicada a tecnologias agropecuárias – avaliou 54 startups no setor. Dessas, fez aportes em quatro. Já no período de 2015 a fevereiro deste ano, foram recebidas mais de 400 oportunidades de investimento, sendo que o fundo realizou aportes em 16.

Ao todo, a SP Ventures possui 20 agritechs no portfólio e enxerga um mercado em franca expansão, com bons prognósticos. "Temos espaços que estão se tornando, ainda que devagar, celeiros de empreendedores, como centros de pesquisa e incubadoras ligadas a universidades. São pessoas que estão fazendo ciência no estado da arte", avalia Francisco Jardim, co-fundador da SP Ventures.

Filha de produtores em Itajubá (MG), Mariana Vasconcelos cresceu acompanhando a tomada de decisões no campo. No auge da crise hídrica, em 2014, ela enxergou potencial para desenvolver uma tecnologia que ajudaria a economizar água.

Foi assim que surgiu a Agrosmart, fundada por Mariana e dois amigos, o engenheiro Thales Nicoleti e o designer Raphael Pizzi. O modelo de sensores espalhados pela lavoura permite economizar até 60% da água usada na irrigação, além de reduzir em 40% o consumo de energia. O aumento de produtividade pode chegar a 20%.

Em 2015, a empreendedora conquistou uma bolsa na Singularity University, que funciona dentro de um centro de pesquisa da Nasa, no Vale do Silício. A trajetória não parou por aí: a Agrosmart foi acelerada pelo Google e, em 2016, fechou uma captação de R$ 10 milhões, incluindo aportes da SP Ventures e do fundo americano SVG Partners, divididos em duas rodadas. "Estamos abrindo a terceira rodada de investimentos junto aos fundos neste ano", conta Mariana Vasconcelos, CEO da Agrosmart. No ano passado, a empresa abriu um escritório nos Estados Unidos e planeja ganhar mercado em México, Peru, Colômbia e Argentina.

Modelo de sensores espalhados pela lavoura permite economizar até 60% da água utilizada na irrigação

Quem também despertou interesse da SP Ventures foi a Aegro, startup que possui um software de gestão agrícola criado por quatro cientistas da computação no fim de 2015. Em junho de 2017, a empresa levantou R$ 2,5 milhões em uma rodada que também contou com a participação da a.b.seed Ventures, gestora especializada no mercado SaaS (software como serviço, na tradução do inglês) B2B.

"Percebemos que existia uma demanda de pequenos e médios produtores por uma forma melhor de gerenciar os dados no dia a dia, como informações de clientes, quantidade de insumos nas fazendas etc.", explica Pedro Dusso, CEO da Aegro.

A Strider, de agricultura de precisão dedicada ao monitoramento de pragas, deu os primeiros passos em 2013, mas foi no ano seguinte que a startup ganhou tração e expandiu os negócios, após receber um aporte de R$ 2 milhões da Barn Investimentos. Em maio de 2016, a Strider fechou outra rodada de captação, no valor de R$ 8 milhões, liderada pela monashees e com participação da Qualcomm Ventures. "Investimos em novos produtos, chegando aos quatro que temos hoje. O objetivo é lançar mais seis este ano", afirma Luiz Tângari, CEO da Strider.

A startup tem 2 mil clientes, entre propriedades rurais no Brasil e em países como EUA, México, Bolívia e Austrália.

A Syngenta anunciou na segunda-feira a compra da startup. A transação, cujo valor não foi revelado, ainda está sujeita à aprovação pelos órgãos competentes, entre eles, o Cade.

De todas as oportunidades de investimento avaliadas pela Inseed Investimentos nos últimos dez anos, em torno de 15% correspondem a startups do agronegócio. "Há muito espaço na cadeia produtiva do setor para tecnologias voltadas a ganho de eficiência e produtividade", observa Gustavo Junqueira, diretor da Inseed. No portfólio, a gestora reúne 32 startups do setor, com investimentos feitos por meio dos fundos Criatec 1 e Criatec 2 (iniciativa do BNDES) e do FIP Inseed FIMA, fundo de inovação em meio ambiente.

As novatas do agronegócio têm chamado atenção também de grandes empresas. A Monsanto, por meio do fundo BR Startups, anunciou em setembro do ano passado investimento de R$ 1 milhão na Tbit, startup de análise de imagem, com foco em sementes e grãos. Também em 2017, a Algar Ventures – do grupo de telecomunicações Algar – investiu na Sensix, startup de monitoramento agrícola por meio de imagens capturadas por drones.

Por Danylo Martins | Para o Valor, de São Paulo

Fonte : Valor

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