Vendaval financeiro prejudica a Rio+20

São Paulo – A crise que afeta as grandes potências mundiais pode tirar o brilho da Rio%2b20. O alerta foi feito ontem pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social

(BNDES), Luciano Coutinho, durante a abertura da Conferência Internacional do Instituto Ethos. Para ele, o encontro, que começa amanhã no Rio de Janeiro, está sendo realizado em um momento pouco propício por causa da recessão, que obriga os países a manterem o foco em seus problemas econômicos imediatos. Para o Brasil, Coutinho fez previsões otimistas, mas cobrou maiores investimentos privados em inovações tecnológicas voltadas para a sustentabilidade.

"A crise atrapalha porque os países estão todos focados em questões como desemprego e desorganização fiscal", afirmou. Assim, seria irrealista pensar que os dirigentes vão abrir mão de crescimento em nome de restrições ambientais. Ele ressaltou, porém, que a Rio%2bb20 é um instrumento para melhorar a situação. "Pode ser uma oportunidade se nós soubermos persuadir as lideranças internacionais de que o investimento no desenvolvimento social e ambiental sustentável é um eixo para a recuperação da economia", acrescentou.

Luciano Coutinho afirmou que o Brasil está buscando meios de aliar o desenvolvimento à sustentabilidade, dando como exemplo o próprio BNDES, que premia com juros mais baixos empresas que investem em programas ambientais. Segundo ele, é necessário intensificar inovações tecnológicas, como o desenvolvimento de novas fontes de energia e motores que não geram poluição, a exemplo dos dos automóveis elétricos. Na Rio%2b20, haverá uma reunião paralela entre bancos de desenvolvimento de vários países com o objetivo de criar um grupo permanente para estabelecer uma agenda de medidas.

A Conferência do Instituto Ethos reúne empresários para discutir ações em prol de uma economia mais sustentável. Do encontro serão tiradas várias ideias a serem apresentadas ao governo brasileiro e aos chefes de Estados que virão para a Rio%2b20. Já foram selecionadas nove propostas, mas a intenção, segundo o presidente do instituto, Jorge Abrahão, é ir mais além. Um documento, denominado Rascunho Zero já conta com a adesão de mais de 100 empresas e pode chegar a mil durante a realização do evento, no Rio de Janeiro.

Uma pesquisa feita pelo Worldwatch Institute (WWI) dos Estados Unidos, em conjunto com o Ethos, mostrou que estão crescendo os chamados Green Jobs – empregos em atividades sustentáveis – em áreas como construção civil, energia e transportes. O setor de reciclagem, que teria hoje 20 milhões de trabalhadores, também cresceu, segundo Michael Renner, pesquisador-sênior do WWI, mas ainda apresenta problemas. "É preciso formalizar esse tipo de mão de obra", observa Renner, referindo-se aos recicladores.

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE – DF