Vendas de soja perdem ritmo no país

As vendas antecipadas de soja, que vinham num ritmo acelerado até maio em decorrência da disputa comercial entre China e Estados Unidos, perderam ritmo em junho. A razão é que as incertezas criadas pelo tabelamento de fretes rodoviários travaram a comercialização do grão no país.

No principal Estado produtor de soja do país, o Mato Grosso, as vendas antecipadas patinam. Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) atualizados até o dia 6, as vendas antecipadas de soja da safra 2018/19 no Estado avançaram só 0,18 ponto ou 58,2 mil toneladas. Desde abril, as vendas vinham crescendo ao redor de 2 milhões de toneladas mensalmente.

No total, foram vendidas 6,8 milhões de toneladas da safra que começará a ser semeada em setembro. Mesmo com a desaceleração, o ritmo está acima do observado no ano passado para a safra 2017/18, quando a comercialização antecipada estava em 3 milhões de toneladas.

As vendas da soja produzida no ciclo 2017/18 também desaceleraram. Segundo o Imea, houve alta de 0,68 ponto até o dia 6 de julho ante junho, chegando a 86,3% da produção estimada em 32,5 milhões de toneladas (ver gráfico).

No Paraná, as vendas têm velocidade mais expressiva, mas aquém do potencial. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Estado, até o dia 25 de junho, o total comercializado de soja correspondia a 68% da produção de 19,1 milhões de toneladas da safra 2017/18.

Apesar do ritmo mais lento das vendas, a perspectiva ainda é positiva. "A demanda pela soja brasileira continua aquecida. Esses problemas com o escoamento farão a janela de exportações se estender até janeiro", afirma o analista da Safras & Mercado, Luiz Fernando Roque. Normalmente, quase não há volume exportado no último trimestre do ano.

Para ele, a tendência é que os preços da soja sigam remuneradores nos próximos seis meses. Na sexta, o prêmio da soja em Paranaguá estava em US$ 2,20 por bushel. "Nesse cenário atual de guerra comercial, o teto para o prêmio é de US$ 2,70", estima Roque. No começo de junho, o prêmio no porto era de US$ 0,50.

Se a efetivação de novos contratos está lenta, os embarques de soja estão sendo retomados. Em junho, somaram 10,4 milhões de toneladas, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O volume é 15,7% inferior ao de maio, quando não havia incerteza sobre o frete, mas 13,3% maior na comparação anual.

Na bolsa de Chicago, a soja voltou a cair ontem, após ter subido 38,25 centavos de dólar na sexta-feira. O contrato com entrega em agosto recuou 21,75 centavos, para US$ 8,5575 o bushel.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor