Vendas de máquinas continuam em ascensão

A forte recuperação das vendas de máquinas agrícolas no atacado brasileiro nos últimos meses praticamente garante que as indústrias do segmento vão encerrar o ano com resultados bem menos negativos que os projetados inicialmente. Mas como desde o início desta safra 2016/17, em 1º de julho, está aquecida a demanda por recursos do Moderfrota – principal linha de crédito oficial com juros subsidiados à disposição dos produtores que querem renovar suas frotas -, é crescente o risco de uma nova paradeira no mercado no primeiro semestre de 2017.

Dados divulgados ontem pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostraram que, no mês passado, as vendas domésticas alcançaram 4.815 unidades, com crescimento de 0,4% em relação a setembro e de expressivos 28,4% sobre outubro de 2015. É verdade que a comercialização acumulada nos dez primeiros meses de 2016 ainda foi 13,2% menor do que em igual intervalo do ano passado, mas as diferenças vêm diminuindo progressivamente. No primeiro semestre, por exemplo, a retração em relação ao mesmo período de 2015 foi de 30,9%.

"Trata-se de uma recuperação lenta, mas constante. As quedas acumuladas estão caindo cerca de 4 pontos percentuais por mês", realçou Ana Helena Correa de Andrade, vice-presidente da Anfavea responsável pela área de máquinas agrícolas e rodoviárias – estas últimas respondem por uma fatia inferior a 10% dos números gerais do segmento. "As notícias relacionadas à agricultura entusiasmam. Não só sobre a safra de grãos que está sendo plantada, que poderá bater um novo recorde, mas também no que se refere às perspectivas de renda dos produtores".

A Anfavea ainda não reviu suas previsões para 2016 como um todo, mas é evidente que o cenário traçado no primeiro semestre, que estimava uma queda anual das vendas de 15,6%, para 38 mil unidades (ver infográfico), perdeu a cor e que já é possível antever um percentual negativo mais próximo de 10%. Daí porque a Anfavea já negocia com o governo federal soluções para evitar que os recursos do Moderfrota minguem antes da hora. Segundo Ana Helena, 58% do total disponível para toda a safra 2016/17 – pouco mais de R$ 5 bilhões – foi usado entre julho e outubro. "Estamos tentando que recursos destinados a outras linhas de crédito [com menos demanda] sejam realocados", afirmou ela.

Por Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor

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