Venda de trigo gaúcho está paralisada

Zero Hora / Zero Hora
Colheita de trigo em São Borja (RS): vendas param, mas safra pode ser recorde

As compras de trigo estão paralisadas há 15 dias no Rio Grande do Sul. Mais abastecidos com o trigo americano, os moinhos estão retraídos à espera de informações da safra no Mercosul, onde a colheita do cereal avança. Corretores que atuam no Estado afirmam que a indústria também aguarda definições sobre a tarifa de importação do cereal produzido fora do bloco, que pode ser mantida ou não.

No Rio Grande do Sul, 95% da área de trigo foi colhida. Há ainda a expectativa de uma produção recorde. O rendimento das lavouras surpreendeu e, em vez de 2,670 milhões de toneladas, a produção gaúcha do cereal pode alcançar 3 milhões de toneladas, segundo dados da Emater-RS.

A Pilla Corretora estima que apenas 30% da produção gaúcha – considerando a estimativa de 2,67 milhões de toneladas – tenha sido comercializada até agora. "Nos dois últimos anos, quando houve incentivos econômicos para exportação do trigo no país, esse percentual estava em 60%, e antes do início da colheita", afirmou Valdiner Silveira Fagundes, diretor da corretora, que tem sede no Rio Grande do Sul.

Para o corretor e operador de commodities da Agroinvvesti, Adelson Gasparin, o Brasil vai precisar importar 7 milhões de toneladas de trigo nesta safra. "Os preços internos vão se pautar pelo valor que chegar o cereal importado", disse. Segundo ele, além de observarem o mercado internacional, os moinhos interromperam as compras de trigo por causa da paralisação da indústria moageira no fim do ano e da baixa demanda por farinha em janeiro.

Devido à escassez de trigo neste ano no Brasil, na Argentina e no Uruguai, o governo retirou temporariamente o imposto de 10% incidente nas importações do cereal de fora do Mercosul. Mas os moinhos não têm certeza, segundo especialistas, de como o governo se comportará a partir de agora, ainda mais quando se discute se o trigo americano entrará ou não na lista de produtos que serão sobretaxados na retaliação aos EUA, que descumpriu obrigações do acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC) e os produtores de algodão.

Os preços do cereal gaúcho seguem em queda. O indicador Cepea/Esalq para o produto caiu ontem 1,03%, a R$ 618,50 a tonelada e acumula desvalorização de 16,13% no mês de novembro.

Apesar do recuo dos preços, o produtor gaúcho está obtendo retorno com a cultura nesta safra. Nos cálculos da Emater, o desembolso médio do produtor do Estado para plantar o cereal foi de cerca de R$ 1,2 mil por hectare na atual temporada, o equivalente a R$ 24 por saca. O valor está abaixo do preço do cereal no mercado à vista, negociado entre R$ 35 e R$ 36 por saca.

Segundo o assistente técnico da Emater-RS, Ataídes Jacobsen, a produtividade das lavouras gaúchas surpreenderam. A expectativa, segundo ele, era de que o rendimento médio ficasse próximo de 2,6 mil quilos por hectare, no entanto, muitas lavouras vêm apresentando produtividade de 3,6 mil e até de 4 mil quilos por hectare.

"Não queremos alardear essa possibilidade, pois são percepções. Teremos um dado mais seguro no próximo levantamento", afirma Jacobsen.

A melhor produtividade histórica do trigo gaúcho foi em 2011, quando o rendimento foi de 2,941 mil quilos por hectare.

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Fonte: Valor | Por Fernanda Pressinott e Fabiana Batista | De São Paulo

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