Venda de máquinas deve diminuir 32% no Brasil neste ano

Diante dos péssimos resultados observados no mercado de máquinas agrícolas de janeiro a setembro, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) elevou de forma expressiva suas estimativas para as retrações das vendas domésticas, das exportações e da produção no segmento neste ano.

No cenário traçado ontem pelo presidente da entidade, Luiz Moan Yabiku Junior, as vendas no mercado brasileiro tendem a recuar não mais "apenas" 20% em relação a 2014, como previsto no primeiro semestre, mas 32%, para 46,6 mil unidades. Na comparação, as exportações deverão diminuir 26,2%, para 10,1 mil unidades, e com isso a produção será 29,8% menor, da ordem de 82,3 mil unidades.

"Apesar de o agronegócio ter conseguido manter uma performance positiva [mesmo com as turbulências político-econômicas]

, a confiança dos produtores continua em queda", afirmou Moan em encontro com jornalistas ontem em São Paulo. Entre outros pontos positivos do setor apontados está o fato de o câmbio ter compensado a queda dos preços em dólar de commodities como soja e milho, os grãos mais produzidos do país.

Daí porque, mesmo longe de estar otimista, o dirigente tem esperanças de que as vendas de colheitadeiras – que, até setembro, caíram mais que as de tratores – reajam nos próximos meses. "Nessa área, o período forte é de setembro até fevereiro ou março. Serão meses vitais", afirmou ele.

Ainda que tenham aumentado 14% no mês passado em relação a agosto, para 309 unidades, as vendas de colheitadeiras recuaram 34,8% nos primeiros nove meses deste ano na comparação com igual intervalo de 2014, para 2.925 unidades. As de tratores, por sua vez, voltaram a cair em setembro e diminuíram 28,1% nos primeiros nove meses, para 30.893 unidades.

No total, as vendas domésticas das máquinas agrícolas e rodoviárias monitoradas pela Anfavea registraram queda de 29,8% de janeiro a setembro, para 36.878. As exportações recuaram 26,2%, para 7.808 unidades, e, nesse contexto, a produção nacional foi 29,1% menor (45.661 unidades).

Apesar desse recuo das exportações nos primeiros nove meses do ano, em setembro também houve sinais de reação, puxada sobretudo por vendas ao Chile e à Tailândia. No total, os embarques alcançaram 893 unidades no mês, 24% mais que em agosto – mas ainda 35,3% menos que em setembro do ano passado.

Conforme a Anfavea, as exportações de máquinas agrícolas e rodoviárias renderam US$ 152,6 milhões no mês passado – 11% mais que em agosto e 25,1% abaixo de setembro de 2014 – e chegaram a US$ 1,3 bilhão nos primeiros nove meses, queda de 39,1% em relação a igual intervalo do ano passado.

Por Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor

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