Venda de fertilizantes para próxima safra de soja é lenta em Mato Grosso

Produtores preferem aguardar mais tempo antes de comprar todo o adubo que será usado

Fabiano Nunes

Foto: Fabiano Nunes / Especial

Produtores preferem aguardar mais tempo antes de comprar adubo

A comercialização de fertilizantes para a próxima safra de soja, que começará a ser semeada em setembro, está lenta emMato Grosso. A procura pelo insumo nas revendas acontece, mas a maioria dos negócios ainda não está sendo firmada. Muitos produtores planejam o plantio, mas preferem aguardar mais tempo antes de comprar todo o adubo que será usado.
O produtor rural Jader de Bortoli plantou 1,7 mil hectares da oleaginosa no município de Campo Verde e já colheu 700. Na safra 2012/2013 quer cultivar mil hectares a mais. O maior investimento é resultado dos bons preços da commodity, que permitiram ao produtor antecipar a compra de pouco mais da metade do adubo que irá usar.
— Comprar antecipado é muito melhor. Quando você deixa mais próximo da safra falta produto. E antecipado já está garantido — afirma o produtor.
O restante do insumo só vai ser adquirido após a colheita da soja. Decisão semelhante à que está sendo adotada por outros agricultores da região.
— Neste momento estamos esperando mais um pouco, até acabar a colheita e ver o que vai virar o preço da soja — diz Bortoli.
A cautela de muitos produtores, a expectativa de que os preços da soja aumentem e os dos fertilizantes caiam, tornaram o andamento das vendas de adubo mais lento em Mato Grosso. Na revenda líder de mercado na região, as comercializações não avançaram. Em 2011 o estabelecimento vendeu 15 mil toneladas de adubo, sendo que 70% deste volume foram negociados entre janeiro e fevereiro. Hoje a situação é outra.
— Está bem diferente. Ano passado rodou bem mais rápido. Acho que é muito devido às condições e aumento. Este ano o produtor está meio que com pé atrás. Hoje podemos dizer que em torno de 15% do adubo foi o que rodou — comenta o gerente comercial Clébio Pablo.
O elevado valor do insumo, que custa em média 19% a mais que no primeiro bimestre de 2011, é uma das explicações para a lentidão. Porém é importante manter os olhos nas oscilações, que podem oferecer boas perspectivas.
A orientação do Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária (Imea) é para que produtores fiquem atentos ao mercado. Os especialistas ressaltam que apesar dos preços do adubo ainda estarem mais caros do que no mesmo período do ano passado, houve pequena retração nos últimos meses. O que indica uma possibilidade de surgirem boas oportunidades de negócio, num futuro próximo.
Entre dezembro e janeiro o valor do fertilizante vendido em Mato Grosso caiu em média 4%, segundo o Imea. Esta queda associada à desvalorização do dólar pode tornar a relação de troca antecipada entre soja e adubo favorável aos agricultores.
— Acredito que produtores não começaram a fazer efetivamente os negócios esperando uma aproximação ao registrado no ano passado. Se o preço se mantiver subindo ou estável e preço do fertilizante continuar caindo e o câmbio também, poderemos ver melhores relações de troca e movimento se aquecerá nas revendas do Estado. O recado é esse, mesmo colhendo é bom ficar de olho no mercado — comenta Daniel Latorraca, gestor do Imea.

Fonte:  Ruralbr | Luiz Patroni | Campo Verde (MT)

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