Velas e lampiões

Sem energia elétrica, o campo não se moderniza. Não é possível, por exemplo, ampliar a área agrícola irrigada no Estado, como quer o governo, sem uma boa oferta de energia elétrica de qualidade para mover os equipamentos. O funcionamento de pequenas e médias agroindústrias, outra alternativa de agregação de valor para produtos da agricultura familiar, também depende da força elétrica. Produtores me dizem que as concessionárias do Interior até dispõem de energia para eletrificar áreas rurais – mas exigem que o cabeamento, ou a extensão das redes até as propriedades, seja custeado pelos proprietários. Em alguns casos, o custo passa de R$ 1 milhão. Ora, se tal serviço não é cobrado do cidadão urbano, que recebe energia na porta de casa, porque tem de ser pago pelos agricultores que produzem alimentos para a população? A descoberta da eletricidade tem mais de cem anos. É inadmissível que, em pleno século 21, parte do Rio Grande de Sul ainda sobreviva à luz de velas e lampiões.

Fonte: Zero Hora | OLHAR DO CAMPO | IRINEU GUARNIER FILHO

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