Variedades de batata prometem alavancar a cadeia

PAULO LANZETTA /DIVULGAÇÃO/JC
Pereira se debruça em pesquisas para tornar o produto mais competitivo

Pereira se debruça em pesquisas para tornar o produto mais competitivo

Alinhado com as demandas da cadeia produtiva da batata, o agrônomo e pesquisador Arione Pereira, da Embrapa Clima Temperado, de Pelotas, busca desenvolver novas variedades do produto que possam servir ao mercado de batatas chips, palha e palitos pré-fritos congelados. O desenvolvimento de diferentes tipos do tubérculo e o manejo adequado da cultura são pontos cruciais para a competitividade e a sustentabilidade da cadeia produtiva. Os três principais tipos desenvolvidos pelo Programa de Melhoramento Genético da Batata da Embrapa, liderado pelo pesquisador, foram as batatas BRS Ana (própria para fritura em palito), BRS Clara (preferencialmente utilizada em saladas) e BRSIPR Bel (própria para processamento industrial, principalmente nas formas chips e palha).
O programa, ligado às unidades da empresa em Pelotas, no interior do Rio Grande do Sul, em Canoinhas, em Santa Catarina, e em Brasília, no Distrito Federal, busca ainda disseminar o plantio em diferentes estados do País e ouvir as demandas dos produtores de todas essas regiões. “É claro que respeitamos a necessidade do fruto, que só se desenvolve em regiões com temperatura entre 15 e 20 graus, mas mesmo em estados do Nordeste é possível encontrar áreas com clima adequado”, explica o agrônomo. Tanto é que produtores do Rio Grande do Sul à Bahia já recebem as variedades estudadas pela Embrapa. Trabalhando com pequenos produtores, a Embrapa busca a multiplicação das sementes desenvolvendo um trabalho conjunto com agricultores de diferentes regiões para fazer com que o Brasil aproveite melhor seu potencial produtivo. “Só colocamos uma variedade no mercado depois do parecer positivo dos produtores selecionados pela Embrapa para avaliar as novidades.”
Apesar da excelência nas pesquisas, Pereira se diz preocupado com a diminuição do consumo do fruto in natura no Brasil. Enquanto a busca por produtos prontos para consumo ou pré-prontos aumenta consideravelmente, o consumo de batata in natura per capita segue na contramão. Exemplo disso é o crescimento no consumo de palitos pré-fritos congelados, que apresentou aumento de 400 g per capita em 2007 para 1,6 kg em 2012.
Outro ponto preocupante, segundo o pesquisador, é que “infelizmente a grande indústria não compra dos pequenos produtores e tem uma preocupação maior com a estética do que com a qualidade”. Prova dessa desarmonia entre as necessidades empresariais e a matéria-prima oferecida pelos agricultores é que, segundo Arione, apenas 10% das batatas produzidas no Brasil são destinadas à indústria de processamento.

Baixo teor de açúcar é crucial para a indústria

Batatas utilizadas para fritura – chips, palitos fritos, palha – devem conter uma maior quantidade de massa seca, ou seja, pouca água na sua constituição. Graças a alterações genéticas e ao uso de diferentes técnicas de manejo no campo – utilização de menos fertilizantes nitrogenados -, é possível controlar o teor de açúcares.
Para que a batata gaúcha se torne própria para a venda às empresas de processamento e para que se seja mais competitiva perante as variedades importadas, é necessário que o agricultor esteja atento a todas as etapas da produção. “É importante que o produtor brasileiro comece a se especializar e se dedicar à indústria. Só assim a cadeia se tornará mais competitiva”, enfatiza. 
Mais nova variedade desenvolvida pela parceria das unidades da Embrapa Clima Temperado, de Pelotas, Produtos e Mercado, de Canoinhas, e Hortaliças, de Brasília, a BRSIPR Bel será crucial para a expansão da produção de batata no Rio Grande do Sul. “Esperamos que ela contribua para aumentar as vendas do fruto. O baixo teor de açúcares redutores conferem crocância e cor clara ao produto final, principais exigências da indústria de processamento”, explica Arione Pereira. A BRSIPR Bel começou a ser liberada para o plantio no ano passado. “Atualmente, estamos em fase de produção de sementes e de promoção junto aos produtores. A tendência é de que em breve ela comece a ser produzida e comercializada.”

CADEIAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA

Enio Marchesan (UFSM)
Arione da Silva Pereira (Embrapa)
Paulo César Faccio de Carvalho (Ufrgs) e Granja Ortiz

TECNOLOGIA RURAL

Ênio Giotto (UFSM)
Cláudia Lange (Irga)
• João Carlos Deschamps (Ufpel)

ALTERNATIVAS AGRÍCOLAS

Leonardo José Gil Barcellos (UPF)
• Anderson Vedelago (Irga) e Vilnei Heatinger
Fábio Esswein (Ecocitrus)

PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

Irajá Ferreira Antunes (Embrapa)
Milton Bernardes (Sec. de Agricultura/RS)

PRÊMIO ESPECIAL

José Antonio Peters (Ufpel)

Fonte: Jornal do Comércio

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