Vanguarda põe R$ 40 milhões na renovação de maquinário

Vitor Salgado/Valor / Vitor Salgado/Valor
Arlindo Moura, CEO da Vanguarda: objetivo do investimento é assegurar que toda a safra seja plantada e colhida dentro da janela considerada ideal pelos agrônomos

A Vanguarda Agro deu início a um processo de modernização de seu parque de máquinas. Diante da necessidade de ganhar eficiência no campo, a companhia fechou uma compra de equipamentos no valor total de R$ 40 milhões das montadoras John Deere e Case.

O pacote inclui 31 tratores, dez colheitadeiras, 31 plantadeiras e 15 pulverizadores. Com a aquisição, o número de máquinas próprias cresce, de 847 para 885, e a idade média da frota cai, de sete para cinco anos. Segundo o presidente da Vanguarda, Arlindo Moura, os equipamentos devem ser utilizados já na safra 2013/14, que começa em setembro.

O objetivo do investimento é assegurar que toda a safra seja plantada e colhida dentro da "janela" considerada ideal pelos agrônomos. "Com as máquinas de que dispúnhamos, isso não era possível, o que comprometia a produtividade da lavoura", afirma Moura.

Do valor total da compra, R$ 35 milhões serão financiados com recursos do BNDES, sobretudo Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Os empréstimos captados têm prazos de um a três anos, com taxa média de juros de 3%. Além de reforçar o maquinário, a Vanguarda Agro também negocia com três empresas a construção de novos armazéns com capacidade total de 30 mil toneladas. O investimento é estimado em cerca de R$ 20 milhões e deverá ser definido nos próximos dias.

Com os novos armazéns, a Vanguarda passaria a ter uma capacidade estática de 303 mil toneladas, o suficiente para estocar aproximadamente 50% de sua produção. Conforme Moura, as novas estruturas visam a acelerar o processo de recebimento e expedição da produção a fim de reduzir os custos logísticos.

O executivo afirma, ainda, que a empresa pode realizar novos investimentos em armazenagem até o fim do ano, a depender das condições da nova linha de crédito que o governo deve disponibilizar para esse fim no próximo Plano Agrícola e Pecuário. "O ideal é que tenhamos capacidade de estocar a soja até agosto e setembro, durante a entressafra americana, quando os prêmios pagos no mercado são maiores", explica.

No comando da Vanguarda Agro desde janeiro, Arlindo Moura apresenta amanhã o primeiro balanço de sua gestão, com os resultados referentes ao primeiro trimestre. Segundo analistas de mercado, os números devem ser afetados pelos problemas com a seca que devastou a produção no Piauí e na Bahia e pelo excesso de chuvas que prejudicou a qualidade da soja em Mato Grosso.

A expectativa é que a empresa, que amargou prejuízo de R$ 57,9 milhões no último trimestre de 2012, não volte a gerar lucros antes do quarto trimestre de 2013. "A Vanguarda é uma empresa em processo de reconstrução e reorganização das operações, de modo que este é um ano de consolidação", diz William Castro Alves, da XP Investimentos.

A Vanguarda deverá reduzir sua área na próxima safra. O Valor apurou que a companhia rescindiu contratos de arrendamento na Bahia, no Piauí e em Mato Grosso. Algumas dessas propriedades teriam baixa produtividade e requereriam investimentos da companhia.

Arlindo Moura não confirma a informação e diz que a companhia vai detalhar seus planos para 2013/14 durante a apresentação dos resultados do 1º trimestre. O executivo, porém, nunca escondeu o desejo de reduzir gradualmente a participação dos arrendamentos na área total, dos atuais 72% para cerca de 50%, nos próximos anos. "Quando arrendamos, investimos na propriedade dos outros e não participamos da valorização da fazenda", justifica.

Resultado da fusão de três empresas – a Vanguarda Agropecuária, do produtor Otaviano Pivetta, o Grupo Maeda e a Brasil Ecodiesel, controlada pelo investidor espanhol Enrique Bañuelos -, a Vanguarda Agro é uma das maiores produtoras de grãos do mundo. Com valor de mercado de R$ 1,3 bilhão, a empresa cultivou 307 mil hectares com soja, milho e algodão na safra 2012/13.

Contudo, a empresa ficou marcada pelo fracasso dos investimentos da Brasil Ecodiesel em biodiesel, o endividamento herdado da Maeda e a disputa societária entre Pivetta e Bañuelos, que terminou com a saída do espanhol, há um ano. Desde então, a companhia tenta se reorganizar. As mudanças ganharam força no fim do ano passado, com a capitalização de R$ 350 milhões – que culminou na entrada da Gávea Investimentos no capital social da companhia – e a indicação de Arlindo Moura para a presidência.

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Fonte: Valor | Por Gerson Freitas Jr. | De São Paulo

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