Vanguarda busca investidor para criar negócio de terras

Vitor Salgado/Valor / Vitor Salgado/Valor
"Pretendemos fechar esse projeto até o 1º semestre de 2014", diz Moura

O presidente da Vanguarda Agro, Arlindo Moura, afirmou ao Valor que a empresa pretende captar US$ 200 milhões com investidores, especialmente fundos de pensão estrangeiros, para aplicar na aquisição de terras no Brasil. Com esses recursos, o executivo projeta ser possível adquirir de 50 mil a 60 mil hectares de terras brutas (ainda não abertas para agricultura).

A companhia, uma da principais agrícolas do país com uma área plantada de 290 mi hectares, planeja fazer essa captação por meio de uma outra empresa (que ainda não foi criada) especializada em compra e venda de fazendas, nos moldes da concorrente Land Co, controlada pela SLC Agrícola – companhia da qual Moura foi presidente até dezembro de 2012.

A outra possibilidade é aportar os recursos na própria Vanguarda para ser usado exclusivamente para esse fim. Ainda, segundo ele, uma outra opção para concretizar esse projeto seria um aumento de capital entre os próprios acionistas da companhia, entre eles, o Gávea Investimentos, que tem participação de 12,22%.

De qualquer forma, a intenção é concretizar esse projeto no primeiro semestre do ano que vem. "Ele ainda precisa ser elaborado. Isso leva tempo e também queremos fazer uma boa negociação. Apenas fizemos alguns contatos e verificamos que há muito interesse", diz Moura.

O executivo calcula poder oferecer a esse investidor um retorno entre 15% e 20% ao ano, somados os ganhos de valorização da terra, transformação e arrendamento. A participação oferecida será minoritária, ou seja, inferior a 50%.

A criação de uma empresa (ou divisão) para aquisição de terras busca equilibrar o portfólio da companhia, que ainda tem mais áreas arrendadas do que próprias. Dos cerca de 270 mil hectares usados para cultivo pela companhia, 182,6 mil hectares são arrendados e 89,2 mil hectares de área própria. "Mas não abandonaremos a estratégia de arrendamento", avisa.

Ontem, as ações da companhia fecharam com valorização de 1,69%, a R$ 3,60. Na quarta-feira, a companhia informou que teve no trimestre encerrado em 30 de junho um prejuízo líquido de R$ 61,2 milhões, ante o resultado líquido também negativo de R$ 68,971 milhões do mesmo trimestre do ciclo anterior.

"Acho que o mercado esperava um número pior. Muito do nosso resultado foi afetado pela variação cambial. Se não fosse isso, o prejuízo teria sido R$ 48 milhões menor do que o anunciado", diz Moura. Ele esclareceu que a companhia adotou a contabilidade do hedge accounting (hedge natural), mas que ele passará a ser aplicado a partir de 1º de agosto, ou seja, não terá efeito retroativo.

O desempenho da empresa também foi influenciado pelas perdas decorrentes do clima (seca) em áreas do Piauí e da Bahia, além de um período prolongado de chuvas na época da colheita no Estado de Mato Grosso.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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