Vanguarda Agro tem prejuízo de R$ 68,9 milhões

Uma das maiores empresas agrícolas do país, a Vanguarda Agro reportou ontem um prejuízo líquido de R$ 68,97 milhões no segundo trimestre, resultado que reverteu o lucro de R$ 2,86 milhões.

Em grande parte, a perda refletiu um impacto sem efeito sobre o caixa de R$ 56 milhões que a desvalorização do real teve sobre a dívida lastreada em dólar – cerca de 71% de uma dívida líquida de R$ 417 milhões. O resultado financeiro ficou negativo em R$ 68,2 milhões, ante um saldo positivo de R$ 17 milhões um ano antes.

Em compensação, a empresa apresentou uma melhora de seu resultado operacional. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 1,84 milhão no trimestre, ante uma perda de R$ 5,99 milhões um ano antes. Com isso, a margem em relação ao Ebitda saiu de negativa (-3%) para positiva (1%) na mesma comparação.

A Vanguarda reportou ainda um Ebitda de R$ 41,46 milhões em sua operação agrícola, um crescimento de 219% em relação aos R$ 12,97 milhões apurados no segundo trimestre de 2011. A margem da operação atingiu 22,4%, ante 17,3% um ano antes. Esse resultado foi praticamente anulado pela unidade de biodiesel, que reportou uma perda operacional de R$ 39,62 milhões, 108% maior do que a de R$ 18,96 milhões registrada um ano antes.

Em entrevista ao Valor, o CEO da Vanguarda, Bento Moreira Franco, disse que o segundo trimestre "consolidou o processo de redução da operação de biodiesel", com a conclusão da venda de mais duas usinas, em abril. "As provisões relacionadas ao fim dessas operações somaram R$ 43 milhões, das quais R$ 34 milhões não são recorrentes", explica o executivo. A conta inclui, por exemplo, uma baixa de R$ 28 milhões relativos a estoques de biodiesel.

A receita líquida da companhia saltou 147% no segundo trimestre, para R$ 185,25 milhões. Do total, 54% foi garantida pela venda de soja. Algodão e milho responderam por 10% e 2% desse valor, respectivamente.

A Vanguarda encerrou o terceiro trimestre com uma dívida líquida de R$ 416,97 milhões – mais de 10 vezes o Ebitda da operação agrícola. Franco reconhece que o valor é elevado, embora tenha caído 38% desde setembro de 2011, após a incorporação da Vanguarda Participações. "Estamos trabalhando para reduzir a dívida e melhorar nossa estrutura de capital. Os bancos estão vendo esse esforço, e isso facilita muito nossas conversas", afirmou.

Segundo ele, a empresa vai precisar de duas ou três safras (a depender dos preços das commodities) para reduzir a alavancagem para níveis considerados baixos, sem levar em conta vendas de ativos ou novos aportes. A empresa tenta negociar 42 mil hectares de terra em Minas, Piauí e Bahia voltadas para o plantio de mamona, quando o foco da empresa era o biodiesel, e que são inadequadas para o plantio de grãos. (GFJ)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo

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