Vaivém – Venda de carne ‘in natura’ para os Estados Unidos ainda é tímida

BARRETOS, SP, BRASIL, 25-11-2008: Funcionários trabalham na linha de produção do frigorífico Minerva, em Barretos, interior de São Paulo. (Foto: Edson Silva/Folhapress, Folha Ribeirao)

Edson Silva /Folhapress

Funcionários trabalham na linha de produção em frigorífico no interior de São Paulo

A exportação de carne "in natura" para os Estados Unidos, que somente neste ano foi liberada pelo Usda (Departamento Agricultura dos EUA), ainda não deslanchou.

A presença do Brasil no mercado norte-americano mostra, no entanto, que a cota de importação liberada pelos EUA está sendo preenchida em percentual maior do que foi no ano passado.

O Brasil não tem uma cota específica –divide com outros países o volume anual de 64,81 mil toneladas. Em 2015, os países pertencentes a esse grupo preencheram apenas 68% da cota total.

Neste ano, com a presença do Brasil, o percentual já atingiu 74% até o dia 12 deste mês, conforme dados do governo dos EUA.

Após a liberação de importação pelos norte-americanos, os brasileiros exportaram 556 toneladas de carne bovina (congelada, fresca ou refrigerada).

Em média, o valor da carne é de US$ 3.927 por tonelada. Alguns lotes (poucos), no entanto, chegaram a US$ 11,8 mil por tonelada.

Nesse total não se incluem as exportações brasileiras de carne industrializada.

Antônio Camardelli, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), acredita que o primeiro semestre de 2017 ainda será um período de exportação contida para os norte-americanos.

Na avaliação dele, os pecuaristas dos EUA colocarão um número maior de vacas para o abate, elevando a oferta de matéria-prima no mercado.

No segundo semestre, as exportações podem dar uma "esquentada", acredita ele. Camardelli diz também que o país tem chances de ir além da exportação de matéria-prima e ocupar ainda alguns nichos de carne "premium" no mercado norte-americano.

Segundo ele, o Brasil deverá ganhar parte dos consumidores dos EUA pelo paladar. Afinal, a carne brasileira, de gado criado em pastagens, é mais saborosa do que a norte-americana, proveniente de animais confinados.

O avanço da presença da carne brasileira nos Estados Unidos depende também de um conhecimento maior daquele mercado pelas indústrias brasileiras.

UNIÃO EUROPEIA

O Brasil está ampliando também as vendas de carne bovina de maior qualidade para a União Europeia.

Na safra 2010/11, o Brasil preencheu apenas 4,5% da chamada "cota Hilton", destinada aos europeus.

No período 2015/16, o país vendeu 93% do volume total dessa cota, que é composta por produto de maior qualidade e melhor preço.

Neste ano (2016/17), deverão ser preenchidos os 100% das 10 mil toneladas, acredita Camardelli. Nos primeiros meses do período, o país preencheu 53% do total, conforme dados da Abiec.

As exportações de carne bovina "in natura" deste mês devem ultrapassar as de novembro, superando 80 mil toneladas, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

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Área de milho vai a 11 mi de hectares na safrinha

Pela primeira vez em seis anos, a área de milho cresce tanto no verão como no inverno. No verão, a área subiu para 5,6 milhões de hectares, a primeira alta após cinco anos de queda.

Já a área da safrinha poderá atingir 11,1 milhões de hectares, mantendo crescimento contínuo desde 2009.

Os dados são da AgRural, e Daniele Siqueira atribui essa evolução de área no verão aos bons preços do produto. Já no inverno, se a lavoura se desenvolver bem, os preços poderão recuar.

Apesar do crescimento de área, o produtor impõe ritmo menor nas vendas futuras da safrinha. Neste ano, as vendas antecipadas somam 17%, após terem atingido 28% em igual período de 2015, segundo a AgRural.

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Ritmo menor As exportações de carne suína "in natura" deste mês perdem o ritmo acelerado que atingiram durante o ano, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Sazonal Se confirmado o ritmo atual das exportações das três primeiras semanas, as vendas externas do setor caem para 37 mil toneladas, 35% abaixo das de novembro. Esse volume, no entanto, se equipara ao de dezembro de 2015.

Ainda elevado As exportações de milho deste mês ainda serão elevadas, podendo superar 1,1 milhão de toneladas. É um volume alta diante da baixa oferta interna, mas bem distante dos 6,3 milhões de toneladas exportados em dezembro de 2015.

Fumo O setor eleva o volume exportado e tem preços melhores. As exportações deste mês são 77% maiores do que as de igual período de 2015. O valor é 32% maior.

Preços O mercado internacional continua mais atraente para o milho. Neste mês, as exportações são feitas a um preço médio de US$ 170 por tonelada. Em dezembro de 2015, estava em US$ 165.

Preços 2 A soja também tem preço melhor. A tonelada está em US$ 426 nas exportações deste mês, ante US$ 385 em igual mês de 2015.

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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