Vaivém – UE importa menos commodities, e Brasil sai da lista de maiores parceiros

Primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, após assinatura de acordo com União Europeia

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Primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, após assinatura de acordo com União Europeia

O Brasil, que até 2015 constava entre os dez principais parceiros comerciais da União Europeia, deve terminar o ano fora dessa lista.

Os brasileiros cederam lugar para os canadenses, que ocupam atualmente a 10ª posição.

O Canadá exportou o equivalente a US$ 25 bilhões para a União Europeia, de janeiro a outubro, e importou US$ 30,4 bilhões.

Os dados mais recentes divulgados pelo Eurostat apontam os Estados Unidos na liderança de comércio de bens da UE. Os norte-americanos exportaram US$ US$ 213 bilhões neste ano e importaram US$ US$ 311 bilhões dos europeus no mesmo período.

Um dos motivos de o Brasil perder essa posição foi que os países do bloco europeu reduziram em 17% as importações de produtos primários, entre eles as commodities, até outubro.

A Índia é a nona colocada na lista dos maiores parceiros da União Europeia, depois da Coreia do Sul. A China vem na segunda posição.

Os principais países importadores da União Europeia são Alemanha (US$ 821 bilhões), Reino Unido (US$ 499 bilhões) e França (US$ 444 bilhões).

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Agronegócio entra na lista das prioridades de governo

Pela primeira vez nas últimas décadas, o tema agronegócio será parte de uma das prioridades de governo.

Após a reunião deste mês do Conselhão (um conselho de representantes dos diversos setores para auxiliar o governo na política pública), foram sugeridos quatro temas prioritários para o país pelos participantes desse colegiado.

Ao lado desses quatro temas, que vão de educação a competitividade, foram encaminhados outros cinco para o presidente Michel Temer escolher um. A escolha recaiu sobre o agronegócio.

No caso específico do grupo do agronegócio, deverão entrar na pauta das discussões assuntos como renda de produtores, comercialização e logística, entre outros.

Já a lista dos participantes dessa discussão e definição de rumos do setor deverá ser composta por entidades como OCB (Organização das Cooperativas do Brasil), Abag (Associação Brasileira do Agronegócio) e CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

Outros nomes indicados para as discussões referentes à política no setor são dos ex-ministros de Agricultura Alysson Paolinelli, Francisco Turra e Luís Carlos Guedes Pinto.

O conselho do agronegócio poderá ser composto ainda por outros especialistas no setor, como André Pesoa e André Nassar.

O Conselhão, que volta a se reunir em janeiro, é composto por quase uma centena de participantes de todos os setores do país.

Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, é um dos representantes do agronegócio.

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Mais valor… Os argentinos devem processar 44 milhões de toneladas de soja no próximo ano, 80% do volume que produzem. Eles têm uma tradição maior em vender o produto processado.

…agregado Já os brasileiros deverão moer 41 milhões de toneladas dos 101 milhões que vão produzir. Ou seja, apenas 40%. No Brasil, os incentivos são maiores para as vendas de soja em grãos.

Fiscais agropecuários A Lanagros (Rede Nacional de Laboratórios Agropecuários) terá uma revista, a partir de janeiro, para a divulgação dos trabalhos desenvolvidos pelo Projeto Sagres, que tem como objetivo a ampliação e o aperfeiçoamento da infraestrutura e da capacidade técnico-científica dos Lanagros.

Revista Sagres O objetivo é que as secretarias e os departamentos do Ministério da Agricultura, bem como produtores, consumidores e associações, possam acompanhar os serviços analíticos disponíveis na rede oficial dos laboratórios desenvolvidos pelos auditores fiscais federais agropecuários.

Ligação direta A revista tem a intenção de ligar a pesquisa científica, muitas vezes de difícil entendimento em ambientes não acadêmicos, ao público externo ao laboratório, segundo Ângelo de Queiroz, auditor fiscal federal agropecuário e coordenador do Projeto Sagres.

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte: Folha

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