Vaivém – Ásia pode render US$ 59 bi a mais para exportações do agronegócio do Brasil

Cálculos são da CNA e se referem a China, Japão, Indonésia e Vietnã, que serão visitados por ministra

Os quatro países asiáticos incluídos na agenda de viagem da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, podem abrir espaço para um aumento de pelo menos US$ 59 bilhões a mais em exportações para o agronegócio brasileiro no futuro.

Os dados são de estudo da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), que toma como base as necessidades específicas de importações de produtos do setor desses países.

Os países que estão sendo visitados são Japão, China, Vietnã e Tailândia. A visita deverá durar 16 dias.
Essa perspectiva de potencial seria um bom impulso para o setor, uma vez que as exportações totais de 2018 para esses países ficaram em US$ 41 bilhões.

Uma das sustentações do agronegócio brasileiro na Ásia é a China, que importou o correspondente a US$ 36 bilhões do Brasil no ano passado. Agricultura e pecuária foram responsáveis por 55% do total de US$ 64 bilhões importados pela China no Brasil.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que embarcou em viagem para a ÁsiaA ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que embarcou em viagem para a Ásia – Adriano Machado – 3.abr.19/Reuters

Embora ainda concentrada em poucos produtos brasileiros, a pauta de importações dos chineses deverá crescer e se diversificar ainda mais nos próximos anos. Atualmente o domínio é de soja, celulose e carnes.
Além desses produtos, a CNA coloca na lista dos exportáveis, com boas perspectivas, algodão, fumo, milho, madeiras e açúcar.

Um levantamento da entidade aponta que o Brasil poderia ampliar as vendas de 97 produtos do agronegócio, o que daria um volume extra de exportações de US$ 20 bilhões pelos chineses no país.

O Japão também é um país de boas perspectivas para o agronegócio brasileiro. No ano passado, as importações japonesas somaram US$ 2,1 bilhões no setor.

Carne de frango, café em grão e soja estão no topo da lista das importações, mas a CNA acredita no potencial do mercado japonês para celulose, sucos, madeira, etanol, milho e carnes bovina e suína.

A entidade acredita na possibilidade de o agronegócio brasileiro elevar em até US$ 19 bilhões as exportações para o Japão.

Já o comércio atual com a Indonésia é de US$ 1,3 bilhão no agronegócio, mas a CNA diz que o potencial de crescimento é de mais US$ 10,2 bilhões.

Farelo de soja e algodão foram os principais produtos exportados para a Indonésia em 2018. Açúcar, soja em grãos, celulose, carne bovina, milho e café também terão bom espaço nas importações tailandesas nos próximos anos.

Outro país a ser visitado pela ministra, o Vietnã, tem um potencial extra de exportações de US$ 9,3 bilhões para os produtos brasileiros. As exportações atuais somam US$ 1,7 bilhão, com destaques para milho e farelo de soja.

As oportunidades de negócios se ampliam, porém, para cereais, soja em grãos, animais vivos, carne bovina e frutas frescas e secas.

Os produtos brasileiros do agronegócio vão para esses países em volumes e valores cada vez maiores. As importações brasileiras, contudo, ainda são pequenas. Em 2018, o Brasil comprou o correspondente a US$ 1,7 bilhão desses quatro países.

A China mandou para o Brasil miudezas de carne suína, papel e alho, entre outros produtos. Já no Japão, o Brasil foi buscar enzimas e sementes de hortícolas.

Da Indonésia vieram óleo de dendê, coco e pasta de cacau, enquanto o Vietnã forneceu peixes e borracha natural.

PRODUZIR SOJA NO BRASIL CUSTA 86% MAIS DO QUE NA ARGENTINA

A competitividade da soja do Brasil é baixa em relação à dos Estados Unidos e à da Argentina, seus principais concorrentes.

Cálculos do pesquisador Mauro Osaki, do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), mostra que o custo médio de produção em duas fazendas típicas do Brasil, em Sorriso (MT) e em Cascavel (PR), foi de US$ 291,7 por tonelada nas últimas cinco safras.

Já o custo em duas fazendas típicas nos EUA (Iowa e Dakota do Norte) fica em US$ 163,8 por tonelada para o mesmo período.

Na Argentina, os gastos são ainda menores. O custo médio é de US$ 157. Ou seja, os produtores brasileiros estão pagando 78% mais que os americanos para produzir e 86% mais que os argentinos.

Mesmo os brasileiros produzindo duas safras por ano, a rentabilidade é inferior à observada nos dois principais concorrentes, segundo Osaki.

Em Sorriso, a rentabilidade (sobre o Custo Operacional Efetivo do sistema soja e milho) foi de 56%, ante 146% em Iowa (EUA) e 135% no Norte da Argentina.

Os argentinos são mais competitivos devido à maior fertilidade do solo e à incidência menor de doenças e pragas.

Os custos dos produtores brasileiros crescem principalmente devido ao aumento dos insumos utilizados.

Nos últimos dez anos, a taxa de crescimento do custo de produção em Sorriso foi de 3% ao ano. Já a receita bruta teve evolução de 2,8% ao ano, segundo o pesquisador.

Vaivém das Commodities

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A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha