Vaivém: Sem Irã, preço do milho será menor para o Brasil

País persa paga margens maiores, segundo consultoria que apresentou expectativas da safra brasileira

O Brasil volta a ter uma boa produção de grãos neste ano. O volume de soja deverá atingir 124,3 milhões de toneladas e o de milho, 101,6 milhões.

As estimativas são da Agroconsult, consultoria que realiza o Rally da Safra, uma expedição anual que acompanha e avalia o desenvolvimento das lavouras de soja e de milho no país.

A produção volta a crescer, mas o país terá desafios para colocar parte desses produtos no mercado externo. O volume de exportações de soja depende das negociações entre Estados Unidos e China.

?Já as vendas externas de milho dependem da evolução das discussões entre Irã e Brasil, após o posicionamento brasileiro sobre os atritos entre iranianos e americanos.

O líder supremo Ali Khamenei (ao centro), ao lado de outras autoridades do Irã, faz oração pelos mortos

  • O aiatolá Ali Khamenei chora durante oração em frente ao caixão do general Qasem Suleimani, em TeerãO líder supremo Ali Khamenei (ao centro), ao lado de outras autoridades do Irã, faz oração pelos mortos Via Reuters
  • André Pessoa, sócio diretor da Agroconsult, acredita que, apesar desses desafios, o Brasil manterá boa presença no mercado externo, embora possa obter menos receitas no caso do milho.

    As exportações de soja deverão ficar entre 76 milhões e 78 milhões de toneladas neste ano. A confirmação do acordo entre China e Estados Unidos fará com que o país exporte 76 milhões de toneladas. Sem acordo entre eles, as vendas externas deverão ser de 78 milhões.

    Um acordo comercial entre chineses e americanos poderá reduzir em 6 milhões de toneladas as exportações brasileiras para o país asiático. O Brasil colocará, porém, parte desse volume em outros mercados.

    Com relação ao milho, os 5,4 milhões de toneladas exportados para o Irã são importantes, em relação aos 43,3 milhões vendidos neste ano.

    Pessoa espera, no entanto, que o país também encontrará novos mercados para o cereal. No caso do milho, porém, as receitas poderão ser menores.

    O Irã, segundo ele, é um pagador com margens melhores, devido ao tipo de negociações que faz com o Brasil.

    De fato, os dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) indicam que, enquanto japoneses e vietnamitas, primeiro e terceiro maiores importadores de milho do país, pagaram US$ 166 por tonelada do cereal no ano passado, os iranianos, que estão em segundo no ranking, despenderam US$ 184.

    Na avaliação de Pessoa, após ter colocado um volume recorde de milho no mercado externo em 2019, os brasileiros deverão exportar 37 milhões de toneladas neste ano.

    Na avaliação das safras de soja e de milho deste ano, o diretor da Agroconsult diz que o Brasil vai ter uma colheita dentro da normalidade, mas ainda é preciso ficar de olho no clima e, consequentemente, na produtividade.

    No caso da soja, o país terá a quarta safra com volume superior a 55 sacas por hectare. Já a produção de milho safrinha não repete o recorde de 101 sacas por hectare de 2019, mas ficará em 95, um volume superior ao dos anos anteriores.

    O plantio de soja deste ano foi afetado pelo clima em vários estados. As lavouras, porém, estão se recuperando.

    Mato Grosso, o líder nacional, teve um plantio dentro do calendário, e a produtividade média está estimada em 57,5 sacas por hectare, mas Pessoa não descarta a possibilidade de uma repetição do volume de 2017/18: 57,9 sacas.

    Paraná e Mato Grosso do Sul, outros estados importantes na produção nacional, estão com bom potencial, segundo ele.

    Vaivém das Commodities

    A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

    Fonte: Folha