Vaivém – Sem controle de pragas e doenças país teria prejuízos bilionários, segundo Cepea

O produtor pode utilizar vários métodos para o combate de pragas e doenças em suas lavouras. Algumas técnicas ainda requerem, porém, uma difusão mais ampla e eficiente.

É um desafio, principalmente para pequenos e médios. Eles têm de identificar o problema, ter um conhecimento fitossanitário e buscar alternativas para o momento.

Algumas pragas, quando afetam as lavouras, exigem um controle rápido e eficiente. São os casos da ferrugem da soja, da lagarta Spodoptera do milho e do bicudo do algodão.

São as doenças e pragas mais devastadoras nas lavouras e de maiores custos para os produtores.

000A lagarta do cartucho (Spodoptera frugiperda) é a principal praga da cultura do milho no Brasil – Alf Ribeiro-17.112.09/Folhapress

O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), em parceria com a Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal) acompanhou as principais doenças e pragas nas lavouras de soja, de milho e de algodão nas safras 2014/15, 2015/16 e 2016/17.

O objetivo da pesquisa foi apurar os gastos dos produtores com a utilização dos agroquímicos e verificar o impacto econômico que a não utilização desses produtos traria para os agricultores e para o país.

Os produtores gastaram R$ 25,6 bilhões na safra 2016/17. Só na soja, foram gastos R$ 19,3 bilhões (R$ 4,3 bilhões no milho e R$ 2 bilhões no algodão).

O estudo do Cepea aponta, porém, que, se os produtores não tivessem utilizado os agroquímicos, haveria uma forte redução na produção, aumento dos preços dos produtos, queda nas exportações e elevação da inflação.

Essa perda de produtividade poderia ser suprida com um aumento de área, mas com custos maiores e mais pressão por novos espaços, segundo o Cepea.

Os agroquímicos pesaram muito no bolso dos produtores. Na soja, o percentual foi de 16,5% sobre o custo total de produção em 2017; no milho, de 9%, e no algodão, de 27%.

A não utilização dos químicos representaria gasto menor para os produtores, mas o resultado final, devido à quebra de produtividade, apontaria para intensos prejuízos, conforme um estudo hipotético daquela safra.

No caso da soja, os produtores teriam uma economia de R$ 5,75 bilhões se não utilizassem os fungicidas para o controle da ferrugem, mas a produtividade cairia 30%.

A perda de produção poderia ser compensada com o aumento de um terço a mais de área. Nesse caso, os gastos para o cultivo da nova área seriam de R$ 33 bilhões adicionais.

Sem aumento de área, os preços da soja subiriam 23%. Apesar da redução dos custos devido ao não controle da ferrugem e do aumento de preços da oleaginosa, a receita bruta total ainda seria 13,9% inferior à obtida com o controle.

Segundo o Cepea, o resultado econômico da soja em 2017 de R$ 8,32 bilhões, se converteria em um prejuízo de R$ 3,37 bilhões. Ou seja, o produtor teria um prejuízo total de R$ 11,7 bilhões.

Em 2017, a área com soja foi de 33,9 milhões de hectares, a produção somou 114 milhões de toneladas e os custos atingiram R$ 117 bilhões.

Em termos macroeconômicos, o país teria exportado US$ 4,5 bilhões a menos e a inflação teria subido mais 0,57 ponto percentual, atingindo 3,52% em 2017.

Utilizando o mesmo critério de pesquisa para o milho, o não controle da lagarta Spodoptera daria um alívio de R$ 3,42 bilhões para os produtores, mas ocorreria uma perda de produtividade de 40%.

Para compensar essa perda com aumento de área, os gastos adicionais seriam de R$ 25,3 bilhões.

Sem aumento de área e queda de produção, os preços do milho subiriam 13,6% no mercado interno.

Dentro do mesmo critério analisado na soja, o não controle da lagarta poderia trazer um prejuízo de R$ 20,5 bilhões para os produtores do cereal. A produção brasileira em 2017 foi de 97 milhões de toneladas, obtidas em uma área de 17 milhões de hectares.

No caso do algodão, o não combate ao bicudo, teria trazido uma economia de R$ 460 milhões para os produtores. A perda de produtividade seria, porém, de 30%. A compensação dessa perda de produtividade por expansão de área exigira recursos de R$ 2,53 bilhões.

A não compensação de área elevaria os preços internos em 5,5%. Economia com o não controle químico e o aumento de preços internos não compensariam a perda de produção.

O resultado final da lavoura seria uma perda de R$ 1,48 bilhão para os produtores. As receitas com as exportações cairiam 26,2% e o efeito sobre a inflação seria pequeno (mais 0,024 ponto percentual).

O Cepea divulgará duas novas pesquisas sobre o tema. A próxima terá enfoque sobre os impactos econômicos das incidências de pragas e de doenças na cultura do milho.

EXPORTAÇÕES DE SUCO DE LARANJA MANTÊM QUEDA

As exportações brasileiras de suco de laranja (FCOJ equivalente a 66º brix) somaram 807 mil toneladas no período de julho de 2018 a abril deste ano, um recuo de 14% em comparação a igual período anterior.

Os dados são da CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítrico). Segundo a entidade, os embarques desta safra 2018/19 renderam US$ 1,4 bilhão, 13% menos que na temporada anterior.

A União Europeia, principal destino do suco brasileiro, importou 5% menos, em volume, e os Estados Unidos, segundo maior mercado, reduziram as compras em 32%.

A China também comprou menos, diminuindo em 8% as importações. O diretor-executivo da entidade, Ibiapaba Netto, que esteve recentemente no país asiático, acredita em novos negócios com os chineses e destaca o potencial daquele mercado.

As exportações suco concentrado congelado somaram 573 mil toneladas nesta safra, com recuo de 20%. Já os embarques do suco não concentrado subiram 2%, somando 229 mil toneladas. “Há uma nítida preferência pelo suco não concentrado”, diz Netto.

Vaivém das Commodities

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A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha

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