Vaivém – Segunda onda de Covid-19 retarda consumo de carne fora do lar

Pandemia muda padrões e cria novas oportunidades, principalmente no setor de distribuição, segundo banco

A pandemia provocada pelo coronavírus e a peste suína africana não afetaram muito o consumo de carne bovina no mundo, mas mudaram alguns padrões, principalmente nos canais de distribuição. Alguns setores foram beneficiados. Outros, nem tanto.

O fim do efeito dessas duas crises sanitárias poderá gerar oportunidades para alguns segmentos e novos hábitos de consumo por parte dos consumidores.

O novo avanço do coronavírus em diversos países, porém, vai influenciar na demanda por carne bovina. No caso da China, um dos mercados mais ativos na compra de proteínas nos últimos três anos, as importações podem até cair.

A pandemia está forçando alterações nos hábitos de consumo, mas não é só ela. A intensidade do avanço da peste suína africana na China já tinha determinado novos padrões de consumo. A disputa internacional pela proteína provocou uma elevação de preços.

Élcio José de Oliveira, dono da distribuidora de hortifrúti Agrobonfim, que viu seu mercado de restaurantes de alta gastronomia desaparecer com a crise do coronavírus.

Élcio José de Oliveira, dono da distribuidora de hortifrúti Agrobonfim, que viu seu mercado de restaurantes de alta gastronomia desaparecer com a crise do coronavírus. Adriano Vizoni/Adriano Vizoni/Folhapress

A avaliação é do Rabobank, banco especializado em agronegócio, que divulgou, nesta quarta-feira (2), um relatório sobre o comportamento da demanda nos principias países consumidores neste quarto trimestre do ano.

No Brasil, as condições econômicas e o ritmo das exportações afetaram o consumo, principalmente devido à disparada dos preços. No auge da pandemia, a queda chegou a 9%. Após uma redução de casos, o vírus volta a se alastrar em algumas regiões. Esse aumento deverá ser ainda mais intenso nas festas de fim de ano. Isso pode retardar a recuperação da alimentação fora do lar.

Nos Estados Unidos, o aumento dos casos de Covid-19 deve trazer novas restrições ao consumo. O funcionamento dos restaurantes nas operações internas será prejudicado por regras mais restritas. Já o funcionamento ao ar livre terá como entrave o frio intenso.

Na China, o vírus está sob controle, mas o país relatou vários casos de Covid-19 em embalagens de carnes e de peixe vindas de outros países. As compras externas estão mais rigorosas, e o controle nos portos e nas cadeias de distribuição poderá dificultar ou até reduzir as importações.Operador do Tiplam (Terminal Integrador Portuário Luiz Antônio Mesquita), em Santos, abre compartimento de trem com soja, para descarregar a carga e enviá-la para exportação

Funcionário do porto de Santos observa a chegada de trem com 5,7 toneladas de milho, para exportação; compra chinesa de carne bovina e soja brasileiras motivou recorde nas exportações desses produtos

Funcionário do porto de Santos observa a chegada de trem com 5,7 toneladas de milho, para exportação; compra chinesa de carne bovina e soja brasileiras motivou recorde nas exportações desses produtos Eduardo Knapp/Folhapress

Na Europa, muitos países passam por uma segunda fase de isolamento mais restrito. Com isso, o consumo de carne bovina fora do lar diminuirá, não sendo compensando pelas vendas no varejo. Na avaliação do banco, essas restrições devem seguir no próximo ano.

No Canadá, existem alguns desafios isolados relacionados à Covid-19, mas os processadores de carne bovina retomaram as operações. Com a redução das atividades, pelo menos um terço do gado confinado está com peso maior, devido a uma alimentação superior a 150 dias.

Na Indonésia, a cadeia de alimentação fora do lar voltou a funcionar desde junho, mas o ritmo de ocupação só melhorou em agosto. A demanda pela proteína ainda é fraca, principalmente devido à queda do poder aquisitivo da população. As importações se voltaram para produto de menor valor.

Vaivém das Commodities

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A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha

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