Vaivém – Safra mundial de laranja cresce e oferta de suco avança mais do que a demanda

Produção deve crescer 9% na safra, segundo dados do governo americano

O clima mais favorável nesta safra permitirá um crescimento de 9% na produção mundial de laranjas. Os melhores desempenhos ocorrerão no Brasil e nos Estados Unidos, colocados entre os cinco maiores produtores mundiais.

A avaliação é do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que prevê alta de 41% na produção americana e de 13% na brasileira na safra 2018/19.

O Brasil é o maior produtor mundial, seguido de China, União Europeia, Estados Unidos e México.
Os mexicanos, que haviam tomado a posição dos americanos nas duas últimas safras, retomam para a quinta posição nesta temporada, segundo o Usda.

A produção total de laranja sobe para 51,8 milhões de toneladas. Deste volume, 21,2 milhões serão destinados à industrialização, liderada por Brasil e Estados Unidos.

Os brasileiros mantêm, de longe, a liderança na produção mundial de suco de laranja, mas a alta maior nesta safra fica com os americanos.

Colheita de laranja no interior de SP Colheita de laranja no interior de SP – Márcia Ribeiro/Folhapress

Após serem afetados por doenças, como o greening, e por efeitos climáticos, como furacões, os pomares dos Estados Unidos melhoraram e aumentaram a oferta de laranja.

Com isso, as indústrias americanas vão produzir 327 mil toneladas de suco, 75% mais do que na safra anterior.

A produção brasileira, na avaliação do Usda, sobe para 1,23 milhão de toneladas, 19% mais do que na anterior.

O México, terceiro maior produtor, terá evolução de 8%, para 210 mil toneladas.

O aumento de oferta de suco ocorre em um momento de estabilidade no consumo mundial. Há queda em mercados tradicionais, como o da União Europeia, mas evolução no da China.

Líder mundial no setor, o Brasil vai exportar 1,21 milhão de toneladas na safra 2018/19. O segundo maior exportador será o México, com 210 mil toneladas. Esse país ainda tem participação bem menor do que a brasileira no mercado mundial, mas vem ganhando espaço e consumidores importantes.

O aumento de produção de laranja e de suco pode comprometer a rentabilidade no setor, uma vez que os custos de produção vêm aumentando muito no campo.

Além disso, a oferta de suco será maior, mas dois dos principais importadores —Estados Unidos e União Europeia— vão pisar no freio nas compras externas.

Na avaliação do Usda, os americanos, que terão produção maior, reduzirão em 22% importações. Entre os europeus, o corte nas compras deve ser menor, de 1,3%.

94,8 MILHÕES DE CABEÇAS

O rebanho de gado dos Estados Unidos atingiu 94,8 milhões de cabeças no início deste ano. É o maior número em uma década. Há uma recuperação neste setor, uma vez que, em 2014, o total de animais do país somava apenas 88,5 milhões de cabeças.

A expansão significa mais concorrência com o Brasil, atualmente o maior exportador mundial de carne bovina. Custos de produção e seca prolongada provocaram a queda do rebanho americano, que tem potencial para superar 100 milhões de cabeças.

Preços O ano de 2019 promete ser um período de preços baixos para os produtos oriundos de lavouras, a menos que algo ocorra em algum dos principais países produtores de grãos.

Em queda Em janeiro, os americanos tiveram queda de 10,8% nos produtos agrícolas, em relação aos valores pagos em dezembro. Em comparação com janeiro de 2018, a redução foi de 1%.

Carnes As proteínas tiveram comportamento melhor no início do ano, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), com alta de 6,4% em janeiro, em relação a dezembro.

Café O preço externo da commodity recuou 1% em fevereiro, segundo a OIC (Organização Internacional do Café). Já as exportações de janeiro subiram para 11 milhões de sacas, 2,6% mais do que em janeiro de 2018.

Vaivém das Commodities

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A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha

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