VAIVÉM RUIM PARA QUEM COMPRA E PARA QUEM VENDE

VAIVÉM RUIM PARA QUEM COMPRA E PARA QUEM VENDE

O futuro da produção de leite no Rio Grande do Sul pode estar em novo modelo de negócio entre indústria e produtor. A ideia de trabalhar com contratos que estabeleçam valores por período de cinco a seis meses seria uma maneira de evitar variações bruscas de valores, que comprometem o rendimento dos agricultores e também provocam efeito gangorra nos preços nas gôndolas de supermercados. A proposta é defendida pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS) e estaria começando a ganhar terreno, também, entre empresas, que conseguiriam fidelizar seus fornecedores.

– Essa estabilidade se refletiria para o consumidor, que também não sentiria oscilação tão grande – diz Pedrinho Signori, vice-presidente da Fetag-RS.

Em linha com produção e consumo, a quantia paga – e recebida – pelo litro de leite varia. No ano passado, os movimentos de sobe e desce foram mais acentuados. Neste ano também ocorreram, mas em menor intensidade. Depois de acumular alta, o preço de referência do Conseleite caiu em agosto e setembro, meses de pico na produção (veja quadro).

– O produtor teve novo estímulo, com a valorização, mas o custo de produção se elevou, em razão de câmbio, escassez de milho e alta do diesel. E a rentabilidade foi pequena – pondera Signori.

Para o consumidor, o valor pago pelo litro de leite longa vida também registra queda, segundo dados compilados pela Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), alinhado ao movimento da produção. Da primeira para a segunda semana deste mês, registrou, no entanto, leve aumento, de 0,66%.

– O preço a partir de agosto começa a cair. Daqui para frente, até março, a tendência de alta não existe – diz Antônio Cesa Longo, presidente da Agas.

Uma das razões é a queda no consumo (nos meses de calor e férias), algo também dentro da normalidade.

– A expetativa é de que os preços se estabilizem em outubro – observa Alexandre Guerra, presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do RS (Sindilat-RS).

NOVO OLHAR

Ao assumir a presidência da Embrapa, Sebastião Barbosa (foto) afirmou que a empresa precisará ser criativa para buscar recursos suplementares e complementares na iniciativa privada e em instituições internacionais. A instituição tem orçamento de pouco mais de R$ 4 bilhões, boa parte gastos com a folha de pagamento.

– Para esses desafios, espero contar com mais comprometimento, dedicação e esforço dos empregados, hoje distribuídos pelo país e que mostraram ter experiência, conhecimento e vivência com o setor privado, na grande revolução que ajudamos a construir na agricultura brasileira – disse.

A escolha de Barbosa, engenheiro agrônomo de formação e especialista em entomologia, foi a primeira, em estatal, a seguir o rito previsto na Lei 13.303/2016, que passou a exigir qualificação técnica de candidatos à diretoria e maior transparência no processo seletivo.

PRODUÇÃO NA VITRINE DE IJUÍ

A Exposição-Feira Industrial e Comercial de Ijuí (Expoijuí) abre as portas ao público hoje, com a expectativa de dobrar o faturamento, que ano passado foi de R$ 40 milhões. Organizadores investiram na adaptação do parque Wanderley Burmann, para voltar a receber expositores de máquinas, que não participaram do evento nos últimos dois anos.

– Fizemos adequações na infraestrutura do parque de exposições para melhorar o acesso de equipamentos e máquinas de grande porte aos espaços – afirma o presidente da Expoijuí, Nilo Leal da Silva.

A feira segue até o dia 21.

NO RADAR

O MINISTRO Blairo Maggi falou ontem sobre a estimativa de que as exportações do agronegócio brasileiro cheguem a US$ 100 bilhões. É uma marca que vínhamos perseguindo e, agora, vamos alcançar, disse o ministro.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora