Vaivém: Retração no consumo derruba preços do frango e do suíno; boi resiste

A retração no consumo das carnes está derrubando os preços do frango e do suíno nas granjas e nos frigoríficos.

Ontem, o quilo da ave viva atingiu o menor valor desde agosto de 2013 nas granjas do Estado de São Paulo, a R$ 2,20. Em 30 dias, o preço acumula baixa de 13,7%, segundo pesquisa da Folha. Só ontem, houve queda de 2%.

No caso do suíno, a retração é mais recente. O valor da arroba do animal nos frigoríficos paulistas caiu 2,9% ontem, para R$ 67,20. Em um mês, a desvalorização é de 3,5%, mas produtores veem espaço para novas baixas.

A analista Heloísa Xavier, da Jox Assessoria, diz que o alto endividamento da população e a inflação de alimentos têm reduzido o poder de compra de muitos brasileiros, impactando a demanda de todos os tipos de proteína.

"Essa situação deixa a comercialização, inclusive do animal vivo, travada", diz.

A concentração de feriados prolongados entre março e abril também afeta o mercado, segundo Valdomiro Ferreira Junior, presidente da Associação Paulista dos Criadores de Suínos. Ele espera uma reação dos preços após o feriado de 1º de maio e o pagamento dos salários.

Embora o consumo de carne bovina também esteja enfraquecido, o preço do boi resiste a uma queda mais intensa devido à oferta de animais para abate, muito restrita.

Nem mesmo a suspeita do caso atípico de vaca louca em Mato Grosso foi capaz de impactar o mercado. A arroba do boi gordo no Estado caiu apenas R$ 1 desde a semana passada. "Em condições normais, uma notícia como essa provocaria uma queda muito mais significativa", diz José Vicente Ferraz, diretor da Informa Economics FNP.

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União Empresas do setor florestal e de celulose e papel, antes representadas por quatro diferentes associações, se reuniram em uma nova entidade, a Ibá (Indústria Brasileira de Árvores).

Metas O setor pretende duplicar a base florestal até 2020, de 7,2 milhões de hectares de árvores plantadas para 14 milhões de hectares. Os investimentos no plantio e na indústria devem somar R$ 53 bilhões entre 2012 e 2020.

Culpa do clima O resultado da trading ADM foi impactado no primeiro trimestre pelas baixas margens da operação agrícola nos EUA, cuja logística foi prejudicada pelo frio. O lucro foi de de US$ 267 milhões, quase o mesmo registrado há um ano.

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Preços de produtos agrícolas se desaceleram no atacado

Após forte alta nos últimos meses, os preços dos produtos agrícolas no atacado já indicam uma desaceleração dos preços ao consumidor.

A influência não deve partir apenas das carnes, mas também dos alimentos "in natura", como legumes, verduras e frutas, e da soja.

Ontem, o IGP-M, da Fundação Getulio Vargas, apontou uma taxa de 2% para os produtos agrícolas no atacado em abril, ante 6% em março.

A análise de longo prazo, no entanto, continua mostrando a força da inflação de alimentos em 2014. Os preços agrícolas no atacado acumulam alta de 9,89% nos últimos 12 meses.

Fonte: Folha

30/04/2014 02h00

TATIANA FREITAS (interina)

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