Vaivém – Recomposição rápida de estoques de grãos facilita queda de preços

 

Uma das explicações para a queda mundial dos preços dos grãos é a rápida recuperação dos estoques.

Os dados desta quinta-feira (21) do IGC (International Grains Council) indicam que os estoques de passagem da safra 2015/16 serão de 23% em relação ao consumo. Há três safras, esse percentual era de apenas 19%.

À exceção do arroz, todos os principais grãos tiveram boa recuperação de estoques. A soja obteve uma das principais. Na safra 2012/13, devido à seca nos Estados Unidos, e consequente quebra de produção, os estoques caíram para apenas 11% do consumo mundial. Nesta safra, o percentual já é de 14%. Nos dados do IGC, os estoques mundiais de soja são de 44 milhões de toneladas, para um consumo de 321 milhões.

O milho também registra boa recuperação. Após ter recuado para apenas 131 milhões de toneladas em 2012/13, os estoques do final desta safra serão de 196 milhões de toneladas, para um consumo de 968 milhões –de 20%.

O trigo tem um dos patamares mais confortáveis. Para um consumo mundial de 719 milhões de toneladas, o estoque é de 30%, somando 213 milhões.

A exceção fica para o arroz. Com safra prevista de 473 milhões de toneladas, o consumo deverá atingir 486 milhões. Os estoques, que eram de 114 milhões de toneladas em 2012/13, recuam para 95 milhões em 2015/16. A relação estoque-consumo cai de 24% para 20% nesse período.

O arroz é o produto de menor volume de comercialização mundial. Dos 473 milhões de toneladas produzidas, apenas 42 milhões trocam de país. O resto é consumido nos países produtores. A Tailândia, com 10 milhões de toneladas, lidera as exportações mundiais.

Acompanhamento de preços do IGC indicm que esta será a safra de grãos com os menores preços em sete anos.

A primeira avaliação deste ano para a safra 2015/16 indica queda de 3% no preço do trigo; de 2% no arroz; e de 1% no milho, em relação às estimativas de novembro. A soja fica estável, segundo o relatório.

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Dólar e oferta fazem milho e algodão disparar

Dólar valorizado, exportações elevadas, estoques menores nesta temporada e expectativa de menor oferta em 2015/16 puxam os preços do milho no mercado interno.

Neste mês, o cereal já teve alta de 18%, segundo acompanhamento de preços do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Em termos reais, os atuais preços são os maiores desde meados de 2013. O indicador Esalq/BM&FBovespa do milho, referente à região de Campinas, está em R$ 43,31 por saca.

Outro produto que tem intensa valorização neste ano é o algodão em pluma. O cenário atual é de maior presença compradora em um contexto de oferta limitada, segundo o Cepea. Pelo menos 60% da safra 2014/15 já foi vendida e a nova só entra no mercado de forma mais intensa a partir de julho.

O indicador Cepea/Esalq com pagamento 8 dias sobe 13,5% no ano, fechando a R$ 2,54 por libra-peso na quarta-feira (20). Em termos reais, os atuais preços são os maiores desde fevereiro do ano passado, constata o Cepea.

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Biocombustíveis A Univap (Universidade do Vale do Paraíba) busca uma nova alternativa para a retirada de uma fibra resistente da cana que atrapalha a sua utilização em maior escala para a produção de biocombustíveis.

Reator Os cientistas utilizam um reator de plasma para retirar a lignina da cana, a parte fibrosa da planta responsável por sua estrutura.

Aproveitamento Sem ela, é possível aproveitar muito mais o bagaço para produção de bioetanol, segundo a professora e pesquisadora Lucia Vieira Santos.

Resistência A lignina é responsável também pela impermeabilidade e pela resistência a ataques microbiológicos e mecânicos aos tecidos vegetais. Isso dificulta o processo de extração e de separação, já que ela é resistente a alguns agentes químicos.

Queda forte A produção brasileira de alumínio primário atingiu 772 mil toneladas no ano passado, um recuo de 20% em relação a 2014, segundo a Abal (Associação Brasileira do Alumínio,

Exportações A indústria está exportando menos para atender ao mercado doméstico. Em 2006, as exportações de alumínio primário somaram 842 mil toneladas. Em 2015, o montante foi de apenas 309 mil.

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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