Vaivém – Produtor trava luta constante pela produtividade

TANGARÁ DA SERRA, MT, BRASIL, 27-03-2012: Detalhe das mãos de homem ao manipular grãos de soja durante a colheita do final da safra na fazenda Morro Azul do grupo A. Maggi, em Tangará da Serra (MT). A colheita foi realizada com 17 colheitadeiras Case II, segundo os administradores do grupo A. Maggi, a safra atual deu 60 sacas por hectare num total de 39.400 mil hectare plantado. (Foto: Marcelo Justo/Folhapress)

Colheita de soja em Tangará da Serra (MT)

"Eu nunca estou contente com a produtividade que tenho. Quero sempre mais."

Foi a constante inquietação que levou o produtor Elci Dalgalo, há 39 anos na atividade, a buscar novos caminhos.

Produtor do oeste do Paraná, Dalgalo conseguiu até 464 sacas de milho safrinha por alqueire (193 por hectare) em algumas partes da propriedade.

O feito se deve a uma soma de esforços que vão da conservação do solo há pelo menos duas década à busca de parceiras que trouxessem novas oportunidades de manejo.

A utilização de calcário e de gesso já é uma constante pelo produtor, quando se trata de correção de solo.

Para elevar ainda mais a produtividade, adapta o plantio ao melhor momento, antecipando o de soja para dar uma "janela" melhor paro o de milho. Além disso, faz um controle preventivo de pragas.

Isso ajuda. Mas o produtor busca ainda, por meio de novas parcerias, mais assistência técnica e conhecimento.

Essas parcerias vêm de cooperativas da região e de empresas voltadas para o fornecimento de insumos.

O objetivo de Dalgalo casou com uma iniciativa de Syngenta de busca de maior produtividade em milho, soja e trigo no país.

João Paulo Zampieri, diretor da unidade de negócios Sul da empresa, diz que é necessária uma elevação de produtividade no país, que ainda é baixa em relação a outros concorrentes.

A elevação da produtividade passa, no entanto, por um programa de convencimento do produtor. Conforme essas parcerias vão apontando o aumento de produtividade, mais produtores aderem.

No momento em que produtores como Dalgalo vão melhorando a produtividade, e esses números ficam evidentes, outros veem que é possível a elevação da produção, segundo ele.

A empresa acredita que esse é um trabalho estratégico, que coloca todas as pontas da cadeia em sintonia.

"As tecnologias têm de conversar", afirma Robison Cezar Serafim, diretor de marketing.

A empresa tem a tecnologia –de sementes a insumos agroquímicos–, além de serviços e conhecimentos do setor.

Essa gama de produtos e serviços da empresa, somados aos das cooperativas e de outras empresas do setor, vai dar nova formas e meios de gestão da produção. O resultado é uma elevação da produtividade.

É um jogo de ganha e ganha. A Syngenta vende mais; os produtores elevam a produção e as receitas, enquanto as cooperativas vendem mais produtos e recebem mais grãos em seus armazéns.

Dalgalo planta 400 alqueires de milho na safrinha, e 140 destes estão dentro dessa parceria.

A adoção de um programa desse de aumento de produtividade eleva custos, admite Zampieri, mas também traz lucros.

As despesas sobem, em média, 5 sacas por hectare. A produtividade cresce, no entanto, 22 sacas nessa mesma área.

A produtividade média do produtor do oeste do Paraná nos 140 alqueires que atua em parcerias foi de 158 sacas por hectare. Já a média da área total foi de 135 sacas.

Zampieri diz que a média de produção no Paraná é de 90 sacas por hectare. Na área das cooperativas, a média sobe para 110, enquanto os líderes de produção nessa parceria conseguiram 150 sacas.

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Ritmo menor A colheita de cana-de-açúcar perde força. Pelo menos 165 usinas já interromperam a atividade até o final deste mês.

Cana A moagem atingiu 561 milhões de toneladas de abril até o início da segunda quinzena deste mês. E, nesse ritmo, poderá ficar abaixo dos 605 milhões previstos para a safra toda.

Mais açúcar Os dados acumulados desta safra somam 33,6 milhões de toneladas de açúcar, 17% mais do que em igual período anterior.

Etanol As usinas colocaram 23,6 bilhões de litros no mercado desde abril, início da safra. Esse volume é 5% inferior ao de igual período de 2015.

Perda maior A redução maior de produção fica para o etanol hidratado, que teve queda de 11% nesta safra. Já o volume de anidro superou em 6% o do ano passado.

Marcelo Justo – Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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