Vaivém – Produtor europeu quer fim do embargo russo à carne

 

Os produtores agropecuários começam a se movimentar na Europa para que haja uma renegociação com a Rússia, eliminando as barreiras comerciais entre europeus e russos, iniciada devido ao conflito político na Ucrânia.

Um dos setores mais afetados é o de carne suína. Principal mercado dos europeus para as exportações de carne suína, a Rússia pisou no freio nas compras, o que tem gerado redução dos preços nos países da União Europeia.

Em 2013, os russos compraram 743 mil toneladas de carne suína da União Europeia. No ano passado, com o embargo, o volume recuou para 66 mil toneladas. Neste ano, o volume deverá ficar ainda mais baixo, uma vez que as vendas dos quatro primeiros meses somaram apenas 4.876 toneladas, segundo estatísticas da União Europeia.

As exportações totais europeias de carne suína, que haviam atingido 3,1 milhões de toneladas em 2013, caíram para 2,9 milhões no ano passado.

Com preços em queda, as receitas com a carne suína não cobrem os custos, segundo produtores ligados à Copa-Cogeca, entidades que englobam produtores e cooperativas.

Os preços atuais da carne suína apresentam queda de 16% a 20%, dependendo do tipo de carne.

O cenário pouco favorável para os europeus tem favorecido os brasileiros. Os países fora do bloco europeu -onde está incluída a Rússia- aumentaram em 5,4% as importações de carne suína do Brasil.

Sem essas vendas, os produtores brasileiros estariam tendo problemas ainda maiores, devido à queda internacional dos preços. Mesmo com o aumento das importações desses países da Europa, o Brasil vendeu 228 mil toneladas no primeiro semestre, 5% menos do que em igual período do ano passado.

Os europeus encontram dificuldades, também, nas exportações de leite. Há um aumento do produto desnatado, de manteiga e de queijo. Os preços caíram, em média, 19% na região. E um dos motivos também é a ausência russa no mercado.

Esse cenário adverso está levando produtores franceses às ruas para protestar contra a queda dos preços das carnes e dos derivados de leite.

Os europeus têm, no entanto, um fator a favor. A queda do euro em relação ao dólar facilita as exportações para os países asiáticos.

Encabeçando a lista de compras, a China importou 295 mil toneladas de carne suína da União Europeia nos quatro primeiros meses do ano. Esse volume registra alta de 36% em relação ao de igual período do ano passado.

Sem os asiáticos, a situação dos produtores da União Europeia estaria bem pior.

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A oferta de gado para abate ainda é limitada. Mesmo assim, os preços continuam caindo no campo. Um dos motivos é que os frigoríficos mantêm restrição nas compras.

Afinal, o cenário para a carne bovina não é tão promissor como há alguns meses. Tanto a demanda interna como a externa já não responde com a mesma firmeza que o setor deseja.

Acompanhamento da Informa Economics FNP indicou uma queda da arroba de boi gordo para R$ 144 no noroeste de São Paulo nesta terça-feira (21).

Ao recuar para esse valor, o preço do gado pronto para o abate retorna ao mesmo patamar comercializado no final do ano passado, mas ainda mantém alta de 20% em relação a julho de 2014.

Os preços caem também em algumas regiões de Mato Grosso, principal produtor nacional de gado. A arroba esteve em R$ 136 em Dourados e em R$ 128 na região de Tangará da Serra. Já na região de Colíder se manteve em R$ 126, segundo dados da Informa.

Os dados de exportação de carne bovina "in natura" até a terceira semana deste mês, divulgados nesta segunda-feira (21) pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior), apontaram retração de 7% no volume embarcado, em relação a junho.

Em comparação a julho do ano passado, a queda é de 22%, quando comparada a média de embarques por dia útil.

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte: Folha

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