vaivém – Produção de carne sobe nos EUA em 2019, e concorrência com Brasil será maior

Governo dos EUA estimam altas de 2% nas produções de carnes bovina e de frango

Gado em Damascus, Arkansas (EUA)

Gado em Damascus, Arkansas (EUA) – Nicholas Kamm – 6.nov.17/AFO

O Brasil pode se preparar para uma concorrência maior dos Estados Unidos no setor de carnes no próximo ano. Produção e exportação deverão ser recordes em alguns dos setores de proteína deste país, concorrente direto do Brasil.

Uma das apostas dos americanos é exatamente a Ásia, mercado onde o Brasil também vem conseguindo avançar nos últimos anos.

Estimativas do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgadas nesta quarta-feira (16) indicam que a produção de carne bovina deverá atingir 12,6 milhões de toneladas, 1,8% acima da estimada para este ano.

Os Estados Unidos são os líderes mundiais na produção de carne bovina, mas o Brasil é o maior exportador.

As estimativas de vendas externas de carne bovina dos americanos são de um volume recorde de 1,43 milhão de toneladas em 2019.

As importações também ficarão no mesmo patamar das exportações, e o Brasil tem participação de 4,5% no volume de carne bovina importado pelos Estados Unidos.

O frango é outro setor em que os americanos lideram a produção mundial. Apesar dos desafios internos, o país deverá atingir 19,6 milhões de toneladas em 2019. As exportações deverão poderão atingir 3,2 milhões de toneladas.

Os americanos mantêm a liderança mundial na produção, mas é o Brasil —o segundo maior produtor, com 13,4 milhões de toneladas— que lidera as exportações.

No setor de carne suína, os Estados Unidos estão aumentando a capacidade instalada, o que deve garantir uma evolução de pelo menos 3% no volume produzido no próximo ano.

Os analistas do Usda esperam que os EUA mantenham uma competitividade no mercado internacional nesse tipo de proteína, em relação aos demais concorrentes.

As exportações de carne suína poderão atingir o recorde de 2,8 milhões de toneladas em 2019. México, Japão, Coreia do Sul e China são mercados bons e cativos para os Estados Unidos.

Um dos desafios no próximo ano será a elevação dos custos de produção, o que pode influenciar as margens e a demanda.

Persiste A inflação dos alimentos continua com forte pressão neste ano. Em maio, o IGP-10 (Índice de Preços por Atacado) registrou alta de 1,05%. Em abril, a evolução havia sido de 3,45%.

No positivo Os preços dos produtos agropecuários já acumulam alta de 6,37% neste ano. Nos últimos 12 meses, a taxa acumulada voltou a ser positiva, atingindo 2,11%.

Pressão da soja O IGP-10, que é apurado pela FGV (Fundação Getulio Vargas), mostrou que soja e farelo de soja estiveram entre as lideranças de alta no mês. Ovos, cana-de-açúcar e bovinos estiveram entre as principais quedas de preço.

Em linha A produção de grãos da União Europeia deste ano deverá manter o patamar médio dos últimos cinco anos: 309 milhões de toneladas. A liderança fica com o trigo, cuja produção soma 152 milhões de toneladas.

Vaivém das Commodities

Vaivém das Commoditie

Jornalista Mauro Zafalon assina a coluna Vaivém das Commodities. Escreve sobre commodities e pecuária.

Fonte : Folha