Vaivém: Preços do etanol caem nos EUA, e setor teme aumento de importação

Os produtores de etanol estão preocupados com um possível aumento das importações do combustível dos Estados Unidos neste ano.

A arbitragem de preços entre os valores de mercado externo e interno favorece as importações para Nordeste e Norte, onde os preços são superiores aos do centro-sul.

As regiões Nordeste e Norte consomem 23% da gasolina do país, mas produzem apenas 10% do etanol.

Os custos de logística para o Nordeste vão ser o diferencial entre os preços praticados no centro-sul e nos EUA.

Em geral, o ritmo de importações cresce em março, final de safra no Nordeste.

Em 2014, o Brasil importou 452 milhões de litros, 243% mais do que em 2013. Desse total, 242 milhões ocorreram de fevereiro a abril.

Outro fator que favorece a importação de etanol -e que preocupa o setor produtivo- é a diferenciação de tributação entre o combustível e a gasolina.

As importações de gasolina pagam 11,75% de PIS e Cofins, uma taxa inexistente nas operações com álcool.

Analisando o cenário para esse mercado, Julio Maria Borges, sócio-diretor da JOB Economia e Planejamento, diz que, "com a forte queda de preços do etanol norte-americano e com a alta de preços no mercado interno, o atual diferencial de preços entre os dois mercados viabiliza a importação do produto dos EUA".

A viabilidade das importações de etanol do mercado dos EUA para a entressafra cria um novo teto para o preço do etanol no mercado interno na faixa de R$ 1,40 a R$ 1,50 por litro, segundo ele.

As exportações de álcool recuaram para 1,4 bilhão de litros no ano passado, 52% menos do que em 2013.

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Café De 70% a 75% da produção de café arábica foi comercializada até meados deste mês, aponta o Cepea (Centro de Estudo Avançado em Economia Aplicada).

Preços "Os produtores aproveitaram os bons preços no segundo semestre para recuperar parte das perdas de 2013", segundo Renato Garcia Ribeiro, analista do Cepea.

Câmbio O dólar valorizado favoreceu as exportações e, com isso, o interesse dos compradores, afirma.

Em queda Com produção recorde, os grãos caíram nesta quinta (22) na Bolsa de Chicago. A principal desvalorização foi a da soja, cujo valor do primeiro contrato caiu para US$ 9,77 por bushel.

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Produção mundial de grãos superará 2 bi de toneladas

A produção mundial de grãos vai superar o recorde de 2 bilhões de toneladas em 2014/15, informou o IGC (conselho internacional de grãos).

Esse volume ficou acima das expectativas anteriores para o período, mas teve pouca evolução ante 2013/14.

O consumo também cresce e vai a 1,97 bilhão de toneladas. O mesmo ocorre com os estoques de passagem de uma safra para outra, que sobem para 432 milhões.

O aumento na produção ocorre em quase todos os grãos, à exceção do arroz. Este último terá a produção reduzida para 474 milhões de toneladas, devido a recuos na Índia e na Tailândia.

O mundo terá uma melhora também na oferta de trigo, cuja produção sobe para 717 milhões de toneladas. A produção de milho fica estável em 992 milhões, enquanto a de soja sobe para 312 milhões de toneladas, informa o IGC.

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Carnes mantêm queda em SP; agora é a vez do frango

Após o recuo de preços do boi gordo e dos suínos, nesta quinta-feira (22), foi a vez de o frango perder preço.

O quilo de ave viva caiu para R$ 2,30 nas granjas de São Paulo, após estar sendo negociado a R$ 2,35 desde o início de dezembro de 2014, segundo a Jox Assessoria.

Com a queda, o frango tem recuo de 4,2% em 12 meses. Em janeiro de 2014, era negociado a R$ 2,40 por quilo.

A arroba de boi, agora negociada a R$ 144, também está em queda, de acordo com dados da Informa Economics FNP. Já a arroba de suíno recuou para R$ 82, conforme pesquisa de preços realizada pela Folha.

Fonte: Folha |

23/01/2015 02h00

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