Vaivém – Polêmica de plantio de soja fora do calendário em MT vai pegar fogo

Discussão começou há seis meses, quando produtores foram incentivados a semear fora do calendário

“Vai pegar fogo.” É o que diz Antonio Galvan, presidente da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso), sobre as discussões referentes ao plantio de soja em período fora do calendário legal.

A discussão começou há seis meses, quando a Aprosoja incentivou os produtores a semear soja fora do calendário estipulado para o estado.

O calendário de Mato Grosso, principal produtor do país, indica que não se deve plantar soja após 31 de dezembro.

Colheita de soja em Canarana (MT); pesquisadores e produtores e divergem sobre plantio. – Mauro Zafalon- 4.abr.2017/Folhapress

O plantio permite a permanência do fungo da ferrugem em plantas vivas por mais tempo e, consequentemente, devido às pulverizações, há uma seleção ainda maior dos fungos. Essa seleção faz com que o fungo inicie a safra seguinte mais resistente.

É uma guerra longa que ainda promete muitas batalhas pela frente. Parte dos produtores se posiciona em lado oposto ao dos pesquisadores e dos cientistas.

Foi criada uma instrução normativa que define o período de plantio, mas, para Galvan, pesquisadores e órgãos públicos não estão avaliando se ela está atendendo aos preceitos de criação.

Para Claudia Godoy, pesquisadora da Embrapa Soja, “essa é uma discussão que não acaba”. Enquanto os pesquisadores estão preocupados com o avanço da ferrugem da soja e com a perda de eficiência dos fungicidas, os produtores querem produzir sementes.

Godoy afirma que o produtor precisa entender que o plantio de soja após 31 de dezembro prolonga o período de soja viva no campo, alimenta os fungos, aumenta a necessidade de pulverizações e seleciona ainda mais os fungos, tornando-os resistentes.

“O plantio fora do período indicado se constitui em uma área pequena, mas compromete os 36 milhões de hectares destinados à soja”, diz ela.

O problema é que o fungo vem ficando resistente aos produtos utilizados e não há fungicida novo em vista. Se, por algum motivo —chuva ou descuido—, o produtor errar na aplicação do fungicida, ele não conseguirá mais recuperar a lavoura. Não existe fungicida curativo, segundo Godoy.

Se os produtores acompanharem o presidente da Aprosoja, as discussões vão ser longas. “O vazio sanitário, que começa em 15 de junho, respeitamos, mas a ‘calendarização’ (proibição do plantio após 31 de dezembro) não. Plantaremos até o início de fevereiro.”
O Indea (Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso), órgão que fiscaliza o setor, localizou 96 áreas irregulares no estado neste ano. Thiago Augusto Tunes, responsável pelo programa de soja no estado, diz que o instituto multou os produtores.

Galvan foi um deles, mas a semente está no armazém. Para ele, o não plantio da soja até a primeira quinzena de fevereiro só favorece um grupo de grandes empresários do estado. “Não é um grupo de meia dúzia com diploma que vai ensinar produtor com mais de 30 anos na região.”

Produção
O Valor Bruto de Produção das lavouras e da pecuária brasileiras deverá atingir R$ 601 bilhões neste ano, 1,5% mais do que em 2018, segundo dados do Ministério da Agricultura.

Ritmo acelerado Este é o momento das carnes na balança comercial. Os volumes médios exportados neste mês, em relação aos de junho do ano passado, têm expressivas altas: suínos, avanço de 93%; frangos, 64%, e bovinos, 104%. Esta última cai neste mês, em relação a maio, em razão da suspensão de vendas à China.

De volta No fim do ano passado, o governo suspendeu, para discussões, a utilização de cinco promotores de crescimento. Um deles, a virginiamicina, recebeu parecer técnico favorável para a volta ao mercado para os setores de pecuária (corte e leite), suinocultura e avicultura.
Vaivém das Commodities
A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

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A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP

Fonte: Folha