Vaivém – Peste suína derruba produção mundial de ração para o setor em 11%

Oferta para outros setores cresce, mas o volume total cai 1,1% em 2019, aponta pesquisa de empresa

    A peste suína africana não trouxe prejuízos apenas para a suinocultura dos países afetados; também reduziu a atividade de setores industriais. Um deles foi o de ração. A produção mundial do insumo para esse setor teve queda de 11% em 2019. Com isso, a oferta total mundial de ração caiu 1,1% no período.

A intensidade da doença na China fez o país asiático perder a liderança de produção mundial de rações para os Estados Unidos. O Brasil é o terceiro maior.

O volume que foi colocado pelas indústrias no mercado mundial recuou para 1,13 bilhão de toneladas em 2019, conforme mostram dados da Alltech, empresa que faz um acompanhamento anual do setor.

Os dados são com base em informações colhidas no último bimestre do ano.

Criação de porcos em Harbin, na China. Febre africana, fatal aos animais, impactou produção de carne suínaCriação de porcos em Harbin, na China. Febre africana, fatal aos animais, impactou produção de carne suína – Reuters

A América Latina, isenta da peste suína africana e grande fornecedora de proteínas para o mundo, teve crescimento de 2,2% no volume de ração produzido em 2019, para 168 milhões de toneladas métricas.

Um dos principais destaques na produção e na exportação mundiais de carnes bovina, suína e de frango, o Brasil foi um dos grandes fornecedores de proteínas para a China. Essa demanda chinesa manteve a produção nacional de ração mais aquecida.

O mercado deste produto mostra as tendências atuais do agronegócio no mundo e onde o setor se destaca. Os nove maiores produtores de ração são responsáveis pelo fornecimento global de 58% desse insumo e concentram 57% das indústrias.

Os efeitos da peste suína para a indústria de ração ficam evidentes nos números da pesquisa mundial da Alltech. A produção de ração para esse segmento recuou para 261 milhões de toneladas em 2019. No ano anterior eram 292 milhões. Foi o único setor a registrar queda.

Já a produção de rações para frango de corte, o de maior volume, subiu 3% no ano passado, atingindo 306 milhões de toneladas.

Enquanto nos Estados Unidos o maior volume de ração produzida é destinada à bovinocultura, no Brasil as indústrias se voltaram mais para o insumo destinado a frango de corte e a suínos, apontam os dados da Alltech.

Cidades da China ficam vazias com avanço do coronavírus

Trabalhador em na estação de Nanjing, na província de Jiangsu; região  responde por mais de 10% do PIB

O agravamento da peste suína no ano passado fez com que a produção de ração caísse 5,5% na Ásia. A China, país mais afetado pela doença, teve queda de 20 milhões de toneladas na produção, o que a levou a perder a liderança mundial.

Um dos destaques no setor é a produção de rações para animais domésticos, cujo crescimento foi de 4%. As maiores evoluções ocorreram na Ásia, na América Latina e na Europa.

Os dados de produção do Brasil atingiram 75 milhões de toneladas no ano passado, 4% mais do que em 2018, segundo o Sindirações (sindicato das indústrias desse setor). Esse percentual de crescimento deverá se repetir neste ano.

A produção de rações para frango e para suínos registraram os maiores crescimentos no país: 3,9% e 5,5%, respectivamente.


MEDO DO CORONAVÍRUS

Os chineses continuam fazendo estoques e antecipando compras de carnes no Brasil. No mês passado, a China ficou com 20% da carne de frango exportada pelos brasileiros. Eles compraram 63 mil toneladas, um volume 87% superior ao de janeiro de 2019.

O apetite chinês elevou as vendas externas brasileiras de carne de frango para 324 mil toneladas, o que rendeu US$ 529 milhões para os exportadores. Em relação a igual mês de 2019, a evolução do volume foi de 15% e a das receitas, 17%. Aumento maior das receitas do que o do volume mostra preços aquecidos.

Os dados são da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

Vaivém das Commodities

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha