Vaivém – Peste suína avança e eleva dependência externa da China nas carnes

Para atender demanda interna, país terá de aumentar importações, favorecendo o Brasil

A peste suína aumentou ainda mais na China e está provocando uma reestruturação no setor de proteínas do país. A doença já supera uma centena de focos, espalhados pelas principias regiões de produção.

O país asiático, que começou o ano com 440 milhões de animais, deverá terminar com com apenas 374 milhões, uma queda de 15%.

Essa redução do rebanho e do abate deixará a China mais vulnerável à oferta externa de proteínas, abrindo espaços para a entrada de outros países nesse gigante mercado da Ásia. O Brasil é um dos principais favorecidos em todas as carnes: bovina, suína e de aves.

Policiais em localidade na China onde foi detectada peste suína
Policiais em localidade na China onde foi detectada peste suína – Hallie Gu – 26.fev.19/Reuters

O cenário ruim da suinocultura chinesa deverá persistir nos próximos anos.

A redução do rebanho, a proibição de transportes de uma região para outra e os preços baixos em várias áreas afetam também a sobrevivência dos produtores, na sua maioria em pequena escala.

Preços baixos, novas regulamentações, dificuldades para investimentos e custos elevados, principalmente os da alimentação dos animais, vão retirar a capacidade de produção de muitos suinocultores chineses.

A produção de carne suína deverá recuar para 51,4 milhões de toneladas no ano. O consumo também cai, mas ainda será superior à oferta: 53,2 milhões.

Com isso, as importações deverão subir para 2 milhões de toneladas no período, 33% mais do que no ano anterior, na avaliação do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

A queda na oferta de carne suína, a de maior consumo no país, vai puxar também a bovina, cuja produção subirá 1% no ano, atingindo 6,5 milhões de toneladas.

A demanda maior pela carne bovina forçará os chineses a importar pelo menos 1,6 milhão de toneladas, 20% mais do que em 2018. O Brasil tem sido um dos bons parceiros para os chineses nessa área.

A carne de frango deverá substituir parte das necessidades da suína, obrigando o país também a elevar as importações dessa proteína. Boa parte desse produto sairá do Brasil.

DIESEL VERDE

Erasmo Carlos Battistella, do setor de biodiesel, vai apresentar a investidores internacionais do agronegócio um projeto inédito no hemisfério Sul: um complexo industrial de US$ 800 milhões para produzir diesel renovável, também chamado de diesel verde. O evento ocorrerá na segunda-feira (1º), em Nova York.

INVESTIMENTO RECORDE

A holding de Battistella, ECB Group, assinou um memorando com o Paraguai para sediar o projeto, batizado de Ômega Green.

Trata-se do maior investimento privado da história paraguaia. O país foi escolhido por ter energia barata e ofertas de água e de matéria-prima (óleo de soja e sebo bovino) adequadas.

O diesel renovável reproduz todas as propriedades físico-químicas do diesel de petróleo, com 70% menos emissões, segundo a empresa.

Descasamento Os preços recebidos pelos produtores agropecuários norte-americanos melhoraram no mês passado, em relação aos de janeiro. Em comparação com os de fevereiro de 2018, porém, tiveram queda de 2%.

Descasamento 2 Mas os custos de produção continuam subindo. No mês passado, ficaram 1% mais caros do que os de fevereiro de 2018, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (28) pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Perdas, mas nem tanto A quebra da safra de soja não foi tão intensa como se previa inicialmente. Após o término do Rally da Safra, expedição que anualmente avalia o desempenho da soja no país, a Agroconsult estima a produção nacional em 118 milhões de toneladas, 3,3% menor do que a de 2018.

Revisão A consultoria revisou os critérios metodológicos dos rallies anteriores e, usando os mesmos dados de campo coletados, elevou os números de todas as safras a partir de 2014/15. Com isso, a empresa passa a apresentar uma produção acumulada de 7,5 milhões de toneladas a mais do que indicavam os números oficiais.

Vaivém das Commodities

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha

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