Vaivém – Peso do agronegócio no PIB sobe de 5% para quase 7%

Mesmo com pequena retração na pecuária, a agropecuária mantém presença forte na economia

O ano de 2021 prometia ser diferente para a agropecuária brasileira. A soja, o carro-chefe da agricultura, foi plantada com atraso, e, embora a área estivesse ganhando um bom impulso, a produtividade era incerta.

Mesmo com tantos empecilhos iniciais, o país volta a obter uma safra recorde com a oleaginosa, somando 132 milhões de toneladas, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O volume apurado pelo IBGE é referência para a apuração do PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária. Outras avaliações de mercado, porém, apontam uma produção de até 137 milhões de toneladas.

Com o avanço nas produções de soja e de milho, a safra brasileira de grãos deste ano deverá atingir 264,5 milhões de toneladas, segundo o IBGE. Na avaliação da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), serão 272 milhões de toneladas.

O valor adicionado pela agropecuária corresponde a 5% do PIB. O dado é apurado a partir de pesquisas do próprio IBGE para agricultura, pecuária, produção florestal e pesca e aquicultura. Não inclui todo o agronegócio, representado também, por exemplo, pela indústria de alimentos

O valor adicionado pela agropecuária corresponde a 5% do PIB. O dado é apurado a partir de pesquisas do próprio IBGE para agricultura, pecuária, produção florestal e pesca e aquicultura. Não inclui todo o agronegócio, representado também, por exemplo, pela indústria de alimentos Mauro Zafalon/Folhapress

Com números tão expressivos na lavoura, e mesmo com pequena retração na pecuária, a agropecuária mantém uma presença forte no PIB e na economia.

No primeiro trimestre deste ano, a evolução do PIB do setor foi de 5,2%, em relação a igual período de 2020. No acumulado dos últimos quatro trimestres, a alta é de 2,3%. Há 17 trimestres seguidos que a agropecuária vem registrando um PIB positivo no acumulado de 12 meses.

A taxa acumulada dos quatro últimos trimestres é a maior desde 2019, mas o melhor ano foi 2017, quando houve um crescimento de 14,2% no PIB do setor.

Com o recente crescimento da agropecuária, a taxa de participação do setor no PIB, que normalmente gira próxima de 5%, fechou 2020 em 6,8%, conforme os dados divulgados nesta terça-feira (1º) pelo IBGE.
A agropecuária adicionou R$ 209 bilhões na economia neste início de ano, bem acima dos R$ 125 bilhões de igual período de 2020.

O primeiro trimestre deste ano foi marcado por alta na produção e melhora na produtividade. A soja, cuja área de plantio cresceu 4,1%, obteve um rendimento, por hectare, 4,4% superior ao da safra passada.

A produção recorde, com alta de 9%, foi preponderante para uma participação melhor do produto no PIB geral.

Apesar do atraso no plantio, algumas regiões obtiveram um desempenho bem melhor do que o da safra anterior. O Rio Grande do Sul, que havia sido afetado severamente por problemas climáticos na safra 2020, conseguiu uma produção de soja 74% superior em 2021.

O milho, o segundo principal produto do setor agrícola, ainda é uma promessa. A primeira safra, que representa apenas 25% da produção do ano, foi colhida com queda de 3,1%, segurando a evolução do PIB.

Segundo especialistas, as altas de preços são reflexo da alta demanda do mercado internacional

Segundo especialistas, as altas de preços são reflexo da alta demanda do mercado internacional Rivaldo Gomes/Folhapress

A segunda, a chamada safrinha, foi semeada com atraso, e o clima adverso já faz o mercado rever estimativas de produção para baixo. Se concretizada essa quebra, o cereal vai afetar o desempenho do PIB agropecuário nos próximos trimestres.

As lavouras de fumo também cooperaram com o PIB. A produção é de 721 mil toneladas, com alta de 3,6%. O rendimento cresceu 6,1% por hectare.

Além do milho da primeira safra, a produção de mandioca, que tem queda de 3,4% na área plantada, inibiu o crescimento do PIB agropecuário. A produção recuou 1,3%.

O PIB da agropecuária deverá ser influenciado nos próximos trimestres por uma previsível queda na produção de milho, de laranja, de café arábica e de cana-de-açúcar, produtos importantes na composição do índice.

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.


Vaivém das Commodities

Fonte : Folha

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.