Vaivém – Pelo menos 33% da soja exportada já sai pelos portos do arco norte

De janeiro a junho foram 19,2 milhões de toneladas do volume comercializado pelo país

    Os portos brasileiros do chamado arco norte movimentaram 33% das exportações de soja no primeiro semestre deste ano. Foram 19,2 milhões de toneladas dos 57,7 milhões que saíram do país.

    Apenas em abril, a movimentação atingiu 5,1 milhões, conforme dados do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária), que tomou como base as estatísticas da Secex.

    A saída de grãos pelos portos das regiões Norte e Nordeste reduz custos de frete e eleva os ganhos no setor. Com os preços dos grãos elevados, esse ganho não é tão sensível no momento, o que deverá ocorrer quando houver uma redução interna e externa dos valores das commodities.

    Trem próximo à Estação Evangelista de Souza, no bairro Emburá, extremo sul da cidade de São Paulo. Ministério da Infraestrutura trabalha para fazer leilão ainda em 2021 da chamada "Ferrogrão". Projeto ligaria o Mato Grosso ao Pará, com o objetivo de escoar a safra de grãos do Centro-Oeste nos portos da região Norte – Eduardo Anizelli – 13.mai.2021/Folhapress

    Antonio Galvan, presidente da Aprosoja Brasil, diz que começa a haver uma aproximação maior dos preços de Mato Grosso com os do Paraná e do Rio Grande do Sul. O frete está menor e o produtor obtém um valor agregado maior, segundo ele.

    Essa grande movimentação pelo arco norte se deve a Mato Grosso, o principal produtor brasileiro de grãos. Mais da metade das exportações de soja do estado são feitas por esses portos. Neste ano, foram 54%. Há dez anos, eram apenas 16%.

    A saída de milho por esses portos também aumenta, e atingiu 29% no primeiro semestre deste ano. Essa taxa é bem menor, no entanto, do que os 43% do ano passado.

    Neste ano, devido ao atraso no plantio e ao clima adverso que afetou as lavouras, a produção caiu e o volume de exportação é menor. As vendas externas por esses portos ficaram próximas de 1 milhão de toneladas.

    Nos últimos 20 anos, incluindo o primeiro semestre deste, o Brasil já exportou 850 milhões de toneladas de soja, o que rendeu ao país US$ 331 bilhões no período, segundo o Imea. A China foi a grande compradora, ficando com 560 milhões desse volume.

    Já as vendas de milho somaram 318 milhões de toneladas, rendendo US$ 58 bilhões. No caso deste cereal, o Irã, ao adquirir 54 milhões de toneladas, foi o líder na compra do produto brasileiro. Japão, com 31 milhões, veio a seguir.

    Colheira de soja na fazenda Lagoa Santa em Guaíra, no interior de SP

    Colheira de soja na fazenda Lagoa Santa em Guaíra, no interior de SPColheira de soja na fazenda Lagoa Santa em Guaíra, no interior de SP Ricardo Benichio/Folhapress

    AGRO PARTICIPA MENOS DA BALANÇA

    As exportações do agronegócio continuam aquecidas, mas perderam força em relação ao total geral do país. Nos seis primeiros meses deste ano, somaram US$ 61,5 bilhões, 45% do total geral. No mesmo período do ano passado, eram 50,5%.

    Essa participação menor se deve à evolução de 49,4% das receitas com as exportações dos demais produtos. A alta no setor de agronegócio foi de 20,8% no semestre.

    O saldo do agronegócio, no entanto, subiu para US$ 54 bilhões no período, com evolução de 21% em relação ao de janeiro a junho de 2020.

    No caso dos demais setores da economia, o saldo da balança comercial continua negativo, somando US$ 17,3 bilhões neste ano. No primeiro semestre de 2020, o saldo foi ainda mais deficitário: US$ 22,4 bilhões.

    Os dados dos últimos 12 meses mostram que o agronegócio continua sustentando a balança comercial. De julho de 2020 a junho deste ano, o saldo do agronegócio é de US$ 97 bilhões, compensando o déficit de US$ 32 bilhões dos demais setores.

    Se mantiver o ritmo forte do primeiro trimestre, as exportações da agropecuária deverão superar os US$ 100 bilhões. Nos últimos 12 meses, o acumulado foi de US$ 111 bilhões.

    Os produtos que mais cooperaram por esse saldo recorde foram açúcar (mais 58%), algodão (24%), café (19%) e o complexo soja (10%).

    

    Algodão Os preços da fibra voltaram a superar R$ 500 por libra-peso nesta semana. A alta é de 85%, em relação aos valores de julho de 2020, conforme pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

    Dores 1 A NovoAgro Ventures se uniu à Faemg, ao Senar e ao Instituto Antonio Ernesto de Salvo para verificar as dores dos produtores rurais de Minas Gerais. São muitas. E vão desde a absorção de tecnologia à previsão de clima.

    Dores 2 Mas passam também por problemas do dia a dia que, resolvidos, gerariam maior produtividade e menores custos: gestão, dificuldades no controle de estoques, alto custo no controle de doenças e de pragas e até falta de cuidados com a documentação.

    Foco no pequeno Um dos objetivos dessa missão é oferecer soluções tecnológicas que aumentem a produtividade no campo e que fortaleçam o pequeno e o médio produtores. Na avaliação de Léo Dias, CEO da empresa, é preciso incentivar as startups que buscam soluções para o setor.

    A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.


    Vaivém das Commodities

    Fonte : Folha

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