Vaivém – O perigo de mexer com o Irã

Família Bolsonaro, a exemplo de Trump e de Netanyahu, escolhe agora esse país para críticas

A família Bolsonaro começa, agora, a mexer com o Irã, no rastro de Donald Trump e de Binyamin Netanyahu, que não se cansam de fazê-lo, cada um com suas razões.

Neste mês, o deputado Eduardo Bolsonaro disse em rede social que o Irã é o país mais malquisto do Oriente Médio, que dá suporte a grupos terroristas e causa caos na região.

O problema é que, para o agronegócio brasileiro, esse é mais um importante parceiro comercial que pode ser afetado por paixões ideológicas.

O Irã ficou com 18% do milho exportado pelo Brasil nos três primeiros meses deste ano. Os iranianos compraram 1,2 milhão de toneladas. No mesmo período do ano passado, haviam comprado 2,24 milhões de toneladas.

O presidente do Irã, Hassan RouhaniO presidente do Irã, Hassan Rouhani – 9.abr.19/Reuters

A concorrência internacional neste ano será acirrada no setor de milho, e o Brasil não poderá se dar ao luxo de perder um mercado importante como esse.

A vizinha Argentina terá produção recorde de 46 milhões de toneladas, e sobrarão ao país pelo menos 30 milhões de toneladas do cereal disponível para exportar.

O milho, com liquidez menor do que a soja, é sempre menos rentável para os produtores brasileiros, e as exportações são necessárias para dar renda ao setor.

E as vendas externas serão bastante relevantes neste ano, uma vez que a produção brasileira caminha para mais um recorde. A Céleres estima a safra 2018/19 de milho em 98 milhões de toneladas. Desse volume, 70 milhões de toneladas viriam da safra de inverno, a chamada safrinha.

O Irã é importante também nas compras de soja e seus derivados. O país ficou com 286 mil toneladas da soja e 279 mil do farelo exportados pelo Brasil no trimestre.

Tradicionais importadores de carnes e de açúcar, adicionaram também arroz na lista de compras neste ano.

De janeiro a março, os gastos totais dos persas no Brasil foram de US$ 548 milhões. Em todo o ano de 2018, levaram mercadorias no valor de US$ 2,2 bilhões.

As exportações totais do agronegócio brasileiro somaram US$ 102 bilhões no ano passado.

COBB DOS EUA FAZ INTERVENÇÃO NA FILIAL BRASILEIRA

Uma das principais empresas de genética avícola do mundo, a norte-americana Cobb fez uma intervenção na sua filial do Brasil.

Foram afastados cinco diretores, entre os quais o diretor-geral da empresa. A intervenção afetou, ainda, a direção das áreas Financeira, de Desenvolvimento de Negócios, de Qualidade e Sanidade e de Produção.

A centenária empresa, fundada em 1916 nos Estados Unidos e desde 1995 no Brasil, acompanhou toda a crescente evolução da avicultura brasileira, setor em que o país se tornou o maior exportador mundial.

Os motivos da intervenção, que trouxe profissionais dos Estados Unidos para acompanhar a evolução desse processo, não foram informados pela matriz norte-americana.

Em nota enviada à coluna, a empresa diz que, "seguindo os protocolos de compliance adotados pela Cobb globalmente, estamos realizando procedimentos de apuração interna que demandam o afastamento temporário de alguns funcionários até conclusão dos trabalhos.

A vinda de executivos da companhia nos EUA para o Brasil é parte deste mesmo processo".

Vaivém das Commodities

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha