Vaivém: Mesmo com fim de taxa a soja e carne dos EUA, Brasil vai manter espaço na China

País vai sofrer os efeitos do fim da guerra comercial entre os dois gigantes, quando ocorrer, mas sem muita intensidade

Os produtores dos EUA ficaram animados com a promessa da China, feita na semana passada, de retirar as taxas sobre soja e carne suína.

Essas notícias de retorno à normalidade nas relações comerciais entre Estados Unidos e China sempre preocupam os produtores brasileiros, devido às consequências sobre as exportações do Brasil.

O país vai sofrer os efeitos do fim da guerra comercial entre os dois gigantes, quando ocorrer, mas sem muita intensidade. Os chineses não aceitam as exigências leoninas de Donald Trump. Entre elas, a de compras de até US$ 50 bilhões de produtos do agronegócio norte-americano.

Colheira de soja na fazenda Lagoa Santa em Guaíra, no interior de SP

Colheira de soja na fazenda Lagoa Santa em Guaíra, no interior de SP Ricardo Benichio/Folhapress

Essa imposição do presidente dos Estados Unidos, se aceita pelos chineses, elevaria em muito o volume importado pelos chineses, com consequências sobre os preços pagos por eles.

No caso da soja, a procura inicial pela commodity dos EUA aumentaria, mas o volume disponível e os preços da oleaginosa brasileira continuarão atraindo os chineses.

No caso das carnes, EUA e Brasil são fortes concorrentes, mas a demanda da China é tão grande que há espaço para os dois. Os dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) desta segunda-feira (9) indicam que, além de volumes, os brasileiros ganham em preço.

O volume médio diário de carne suína exportada pelo Brasil cresceu 20% neste mês, em relação ao de novembro. O de frango subiu 16%, mas o de carne bovina, após a recente aceleração, caiu 10%.

O exportador brasileiro recebe, em dólares, 30% a mais pela carne bovina neste mês, em relação a dezembro de 2018. A carne suína subiu 18%, mas a de frango caiu 1%.

O mercado de soja de Chicago, com o anúncio do fim das taxas, subiu para US$ 8,97 por bushel nesta segunda. A alta tem pouco reflexo no mercado interno, porque o dólar e os prêmios recuaram, segundo Daniele Siqueira, da AgRural.

AO PONTO

Os produtos agrícolas aceleraram forte e tiveram variação de 4,5% no atacado no mês passado. Esse aumento vai chegar ao consumidor. Em outubro, a alta havia sido de 1,53%. Com os reajustes atuais, os produtos agropecuários acumulam elevação de 12,38% neste ano. Essa pressão vem basicamente das carnes. A bovina teve aumento de 14%, e o preço do boi subiu 16% no mês passado, segundo dados do IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Cereais

A produção de grãos dos 28 países da União Europeia será de 319 milhões de toneladas neste ano, 9% mais do que no ano passado. Os dados são da Comissão Europeia.

Destaques

O trigo lidera a produção no grupo europeu. Neste ano, o volume deverá somar 156 milhões de toneladas, 13% mais do que em 2018. Já a safra de milho, ao somar 67 milhões de toneladas, recua 3%.

Arroz

O plantio chega ao fim, e a área destinada ao cereal se limitará a 940 mil hectares, a menor em duas décadas. A média anual da última década foi de 1,1 milhão de hectares. Para Vlamir Brandalizze, o arroz cede lugar para a soja.

Exportações

O Brasil colocou 97 mil toneladas de arroz no mercado externo no mês passado, 40% mais do que em outubro, segundo a Abiarroz (associação do setor).

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte: Folha

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