Vaivém – Levantamentos indicam que geada não comprometeu oferta de produtos

Paraná é o estado que mais sofre os efeitos do clima devido às culturas de inverno, como as de trigo e de milho

Uma semana após a geada, o acompanhamento em campo mostra que o fenômeno climático, embora tenha provocado estragos em diversas lavouras, não causou sérios prejuízos.
Uma boa notícia para o produtor é que não há perspectiva de novas geadas a curto prazo. Marco Antonio dos Santos, meteorologista da Rural Clima, afirma que a próxima onda de frio ocorrerá em meados de agosto, mas nada indica que esse frio venha a se transformar em geada.
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Geada afeta lavoura de milho no norte do Paraná – Mauro Zafalon / Folhapress

O Paraná é o estado que mais sofre os efeitos da geada devido às culturas de inverno, como as de trigo e de milho safrinha. Além disso, o estado é importante produtor de café, uma lavoura também sensível a frio intenso.
O milho tem a maior área de cultivo no inverno no Paraná. As lavouras semeadas tardiamente, e em regiões mais suscetíveis, foram atingidas, segundo Edmar Gervásio, analista de mercado de milho do Deral (Departamento de Economia Rural) da Secretaria de Agricultura do estado.
O efeito sobre o volume de milho a ser produzido, porém, será pequeno. A produtividade do cereal está melhor do que se previa, e a previsão de produção foi elevada em 4% nesta safrinha, para 13,5 milhões de toneladas.
Uma eventual quebra de produção semelhante à do aumento de produtividade deixará a safra paranaense no mesmo patamar previsto inicialmente, em 13 milhões de toneladas, segundo o analista.
A geada também afetou parte das lavouras de trigo no estado, e a quebra de produção será de 10% do previsto.

Milho afetado por geada no norte do Paraná Mauro Zafalon / Folhapress – Mauro Zafalon / Folhapress

Carlos Hugo Winckler Godinho, analista de trigo do Deral, estima uma perda de 300 mil toneladas nesta safra, provocada pela geada. A previsão inicial de produção era de 3,2 milhões de toneladas.
No caso do café, Cilésio Abel Demoner, coordenador do Projeto Café da Emater, diz que uma geada como a atual teria afetado boa parte da lavoura algumas décadas atrás. A cultura, porém, abandonou áreas sensíveis e hoje está em locais menos suscetíveis.
Mesmo assim, a produção do próximo ano poderá recuar em até 30% nessas áreas mais sensíveis e que sofreram o impacto do frio intenso.
Demoner afirma que o estado se preparou para a geada. Além da mudança das lavouras para áreas mais seguras há algum tempo, o produtor adota um manejo próprio para diminuir o efeito desse fenômeno climático.
O café recém-plantado é coberto com terra ou folhagens, enquanto nas lavouras mais velhas se cobre o tronco da planta com terra para diminuir o efeito do frio. Esse manejo, segundo ele, é possível porque a Emater atende a pequenos produtores.
Em São Paulo, a Ceagesp, o principal centro de abastecimento de hortifrútis do país, registrou queda no volume de produtos vindos do sul de Minas Gerais e de alguns municípios do sudoeste paulista.
Os preços, porém, voltam ao normal. A alface custava 29% menos na sexta passada (12) em relação à sexta anterior (5). Nesse período, a rúcula caiu 16%, e o tomate, 1%.

VALOR BRUTO

A produção de grãos sobe, e o Valor Bruto de Produção somará R$ 603 bilhões no ano, com alta de 1%. O valor da pecuária cresce 4%, e o da lavoura fica estável, diz o Ministério da Agricultura.

Eleições à vista Mauricio Macri, presidente da Argentina, diz que a tributação sobre exportações de produtos agrícolas é um mau imposto e que ele deveria desaparecer. Em outubro, há eleições para a Presidência do país.
Conseguiu No início de governo, Macri eliminou o imposto sobre milho e trigo. No caso da soja, o governo seguia um programa escalonado de eliminação. Veio a crise, e o programa foi revisto.
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Açúcar As exportações médias, por dia útil, somam 96 mil toneladas neste mês, acima das 78 mil de igual período de 2018, segundo dados da Secex.

Vaivém das Commodities

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A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha