Vaivém – Importação de fertilizantes pelo Brasil é recorde em 2019

As compras somaram 31 milhões de toneladas, com gastos de US$ 9 bilhões.

    As importações de fertilizantes atingiram o recorde de 31 milhões de toneladas no ano passado, uma evolução de 5% em relação às do ano anterior.

Já os custos dessas importações subiram em ritmo menor. De cordo com dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), somaram US$ 9 bilhões, 3% mais.

A evolução percentual menor dos gastos brasileiros com as compras externas, em relação à do volume, se deve à queda dos preços dos fertilizantes no mercado internacional.

Segundo Carlos Eduardo Florence, diretor-executivo da AMA (Associação dos Misturadores de Adubo do Brasil), os fosfatados terminaram 2019 com redução de 30% em relação aos valores de há um ano.

Contêineres no porto de santosImportações de fertilizantes atingiram o recorde de 31 milhões de toneladas – Eduardo Knapp – 24.abr.2019/Folhapress

Nesse mesmo período, os nitrogenados caíram 20% e o potássio teve uma redução de 10% a 15%. Mesmo com a alta do dólar, os preços ficaram mais favoráveis no mercado interno.

Os dados de distribuição interna ainda não estão disponíveis, mas com certeza serão melhores do que os de 2018. A área de soja cresceu, a safrinha de milho foi bastante robusta e a demanda pelo adubo aumentou, segundo o presidente da AMA.

Essa demanda é maior também porque o setor agrícola passou os últimos dez anos sem grandes sobressaltos, à exceção da ocorrência de secas em algumas regiões específicas.

O dólar interfere nos preços dos fertilizantes, mas, ao mesmo tempo, engorda as receitas dos produtores com as exportações das commodities.

2020 não deverá ser diferente de 2019, na avaliação de Florence. Não há indicação de anormalidades no setor. O produtor continua capitalizado, os preços das commodities estão em posição confortável, o dólar auxilia as exportações.

O milho, que teve forte demanda no ano passado por adubo, continua com boas perspectivas neste ano, vindas tanto do exterior como da necessidade interna, graças ao crescimento da produção de  proteínas.
Será mais um ano positivo para fertilizantes, conclui ele.

Os principais fornecedores de fertilizantes para o Brasil no ano passado foram Rússia, Canadá, China e Marrocos.

Mais pressão  Após a disputa com a China, forçando os chineses a adquirirem mais produtos agrícolas americanos, os Estados Unidos se voltam agora para a Índia.

Mais pressão 2  Segundo a Reuters, Donald Trump quer que os indianos aumentem de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões as compras agrícolas nos Estados Unidos.

Frango Um dos objetivos é a redução das taxas de importação sobre aves, um setor que também está no foco dos brasileiros. Os indianos colocam uma taxa de importação de 80% sobre cortes de frango e de 30% sobre o frango inteiro. No caso do suíno, a taxa é de 27%.

Ainda melhor  O acompanhamento de campo da equipe do Rally da Safra está encontrando a soja em situação melhor do que a prevista. Após um início de safra complicado, a produtividade deverá ser de 10% a 15% maior do que o esperado nas regiões do médio norte e do oeste de Mato Grosso.

Ritmo maior A colheita da oleaginosa atingia 14% até a semana passada no estado, acima da média dos últimos cinco anos. Os dados são do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária).

Vaivém das Commodities

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A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha

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