Vaivém: Importação de café não deve ser tabu, diz ministra

O Brasil deve ter obtido novo recorde nas exportações de café na safra 2014/15, que se encerrou nesta terça-feira (30).

Com intenso avanço nos últimos anos, o país deve ter exportado um total de 36 milhões de sacas. O mercado brasileiro, no entanto, continua fechado para as importações de café verde de outros países.

Os tempos mudaram, tanto na maneira da produção da bebida como nos hábitos dos consumidores. Uma das novas opções para o consumidor são as cápsulas -uma indústria, no entanto, ainda incipiente no país.

A produção de cápsulas exige uma mistura de cafés de várias origens, o que não é possível no Brasil devido à proibição das importações de café verde de outros países.

"Isso precisa ser discutido e não pode ser um tabu", diz a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, sobre essa polêmica das importações de café.

"Precisamos enfrentar essa realidade, e o Brasil não pode se fechar. O café brasileiro é totalmente competitivo e de excelente qualidade", diz ela.

Editoria de Arte/Folhapress

Café (exportações e importações)

"Quem é produtor competitivo não pode ter medo de outros mercados. Se queremos abrir mercado para o Brasil, devemos entender que também devemos abrir mercado para outros países."

Segundo Kátia Abreu, o país está buscando espaço para o café nacional no exterior. "É preciso fazer promoção comercial com marcas de café. Não existe mais o café commoditiy, sem gosto e sem sabor."

Na avaliação da ministra, o café no mundo tem de ter marcas especiais e registros de identificação geográfica.

Quanto às importações de café verde, ela diz que "teremos todo cuidado com os produtos [importados] que precisamos ter, assim como os outros países têm cuidado com seus produtos mais sensíveis".

A ministra fez essas afirmações em um seminário de soja da Embrapa, ocorrido em Florianópolis (SC) na semana passada.

Algumas empresas já estão com suas fábricas de cápsulas em andamento no território brasileiro. E essa discussão sobre as importações deverão ficar mais assíduas.

Por ora, o país perdeu a batalha das exportações de café torrado e moído. As vendas externas deste tipo de café, que atingiram 6.590 toneladas em 2008, ficaram em apenas 1.557 toneladas no ano passado.

Já as importações de café processado, inclusive as de cápsulas, que somavam 231 toneladas naquele ano, subiram para 2.287 no ano passado.

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Produtores americanos reagem à importação de carne brasileira

Os pecuaristas norte-americanos não gostaram do fim do embargo à carne bovina "in natura" do Brasil.

A associação dos pecuaristas dos EUA divulgou nota com posição contrária à decisão anunciada na segunda-feira (29) pelas autoridades do país, "não com base no comércio, mas sim nas preocupações com a saúde animal".

A nota refere-se à autorização de importações de carne "in natura" regiões do Brasil e da Argentina, que, segundo os produtores americanos, têm um histórico conhecido de ocorrência de febre aftosa.

"A arrogância deste governo em continuar a avançar com regras que têm um impacto profundo sobre a indústria, sem consultar os afetados, é terrível", afirmou o presidente da associação, Philip Ellis, em nota. "O efeito de um surto de febre aftosa nos EUA seria devastador para a agricultura animal e toda a nossa economia", acrescenta o texto.

Fonte: Folha

Vaivém das Commodities

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

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