Vaivém – Importação de arroz aumenta 47% neste mês

Mesmo assim, preços continuam recordes no campo, com alta de 133% em 12 meses

    As importações brasileiras de arroz somaram o correspondente a 91 mil toneladas do cereal em casca nas três primeiras semanas deste mês, 47% mais do que em agosto. No mês passado, haviam sido 62 mil toneladas.

Os dados são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Devido à alta de preços internos, o governo retirou a tarifa de importação do cereal, que é de 12% para o produto em casca e de 10% para o beneficiado.

O mercado interno continua, no entanto, com uma escalada forte de preços. As negociações foram realizadas a um valor médio recorde de R$ 105,9 por saca nesta terça-feira (22) no Rio Grande do Sul, estado responsável por 70% da safra nacional.

Os preços atuais do cereal em casca já acumulam alta de 13% neste mês e superam em 133% os de há um ano, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Fazenda de produção de arroz, em Guaratinguetá (SP)Fazenda de produção de arroz, em Guaratinguetá (SP) – Divulgação

A alta do cereal ocorre devido ao cenário externo favorável às exportações neste ano. O real desvalorizado tornou o produto brasileiro mais competitivo. Mas a demanda mundial está aquecida para esse produto, e a taxa elevada do câmbio encarece ainda mais o arroz o custo da importação.

As compras externas do cereal sem casca foram feitas a US$ 411, em média, 26% mais do que no ano passado. As importações do produto em casca foram feitas a US$ 325, com alta de 23%, segundo a Secex.

Não é só o arroz, porém, que pesa no bolso do consumidor. Todos os preços dos produtos agrícolas estão em patamares recordes no campo. As altas são expressivas em relação aos valores praticados há um ano.

As mais comportadas são as de frango e de trigo, produtos que estão com variações acumuladas próximas de 35% em 12 meses no campo.O preço do arroz teve uma alta de 3,08% em agosto, na relação com julho deste ano. No acumulado de 2020 (janeiro a agosto, na comparação com o mesmo período de 2019), o grão tem alta de 19,2%, segundo dados do IBGE

O preço do feijão carioca teve uma retração de 5,85% em agosto, na comparação com julho, o feijão preto também recuou no mês, em 0,45%. No acumulado de 2020, porém, ambos os preços seguem em alta de 12,1% e 28,9%, respectivamente

O preço do feijão carioca teve uma retração de 5,85% em agosto, na comparação com julho, o feijão preto também recuou no mês, em 0,45%. No acumulado de 2020, porém, ambos os preços seguem em alta de 12,1% e 28,9%, respectivamente Douglas Cometti/Folhapress

A soja, um produto que não para de subir, atingiu os R$ 141 por saca nesta terça-feira, superando em 74% os valores de há um ano.

A alta da oleaginosa tem peso intenso no bolso do consumidor. Ela eleva os derivados da soja, como o óleo utilizado na cozinha, e salga ainda mais os preços das carnes, que necessitam do farelo para a produção da ração.

O milho, outro componente importante na ração, acumula alta de 58% no período. O quilo do suíno, com valores recordes na granja, tem alta de 67%.

Essa lista de reajustes inclui também o açúcar. A saca está a R$ 86 nas usinas, com uma valorização de 41% em relação aos preços praticados há um ano, mostra o Cepea.

O boi, que vem em alta desde o último trimestre do ano passado, atingiu R$ 251 por arroba nesta terça. Com aumento de 60% em 12 meses, o boi gordo não tem espaço para muita queda.

A demanda externa por carne bovina continua aquecida, a oferta interna é restrita, e a pecuária caminha para o período de entressafra nos próximos meses.

Vaivém das Commodities

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha

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