Vaivém – ‘Ilha de sanidade’ garante mercado para carne brasileira em 2017

Mocóca, SP, 21.12.2015 - Carne de gado angus ganha mercado no país. Gado da raça angus em pasto da fazenda Cardinal, de propriedade da VPJ Pecuária, na cidade de Mocóca, interior de SP. Peões da fazenda cuidando de rebanho angus. Antes considerada nobre e cara, a carne Angus deslanchou neste ano no país: houve aumento de 21% no abate dos animais de 2014 para 2015, em pleno ano de crise. A raça existe há 116 anos no Brasil, mas só há 10 começou a ser produzida com controle de qualidade rígido. (Foto: Pierre Duarte/Folhapress) **EXCLUSIVO/FSP/AGÊNCIA FOLHA**ESPECIAL**

Gado em propriedade na cidade de Mococa, no interior de SP

O ano de 2016 não foi tão bom para a indústria de proteínas como o anterior. O avanço esperado no início do ano não aconteceu.

Ao contrário, o complicado cenário econômico interno fez com que a produção de carne de frango recuasse.

A recessão econômica, a taxa elevada de desemprego e a queda de renda interromperam o ritmo de crescimento do consumo interno.

Tudo isso, somado a uma intensa aceleração nos custos de produção, principalmente devido à escalada dos preços do milho.

Do lado externo, a boa notícia foi que os volumes exportados continuaram crescendo, mas as receitas não acompanharam esse desempenho.

Em 2017, o cenário deverá ser melhor. Essa é a esperança de Francisco Turra, presidente-executivo da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

Duas são as principais apostas do executivo. O Brasil já está praticamente em todos os mercados mundiais e continua ampliando a sua atuação, principalmente em países que pagam mais pelo produto.

Segundo, boa parte dos concorrentes e de grandes consumidores tem sérios problemas com a sanidade animal, como gripe aviária e peste suína. As doenças atingem América do Norte, Europa, África e Ásia.

O Brasil continua uma ilha. Uma das causas são as condições atmosféricas do país, que deixam os animais menos suscetíveis a doenças. A temperatura média por aqui é de 24ºC, enquanto a da Europa e de algumas outras regiões produtoras de proteínas fica entre 8ºC e 10ºC, segundo Turra.

A biosseguridade é um fator muito importante para o Brasil e deverá ajudar nas vendas dos produtos brasileiros no próximo ano, acredita ele.

Turra não descarta também o fator Donald Trump a favor do Brasil. A política externa do presidente eleito dos Estados Unidos poderá colocar o México mais perto do Brasil.

Os mexicanos têm uma demanda grande por frango e por suínos, principalmente por esses. E, recentemente, elegeram o Brasil como uma nova fonte de mercado.

OS NÚMEROS
O Brasil deverá produzir 12,9 milhões de toneladas de carne de frango neste ano, abaixo dos 13,1 milhões de 2015.

O consumo per capita, que foi de 43,2 quilos no ano passado, recuou para 41,1 quilos em 2016, conforme dados da ABPA.

Já o setor de carne suína surpreendeu. O consumo interno caiu 3,5% e foi afetado pela recessão, mas a demanda externa ficou acima do que o setor esperava.

As exportações deste ano devem atingir 720 mil toneladas e superar em 30% as de 2015.

A produção interna fica em 3,7 milhões de toneladas, 2% acima da do ano anterior, mas o consumo per capita anual cai para 14,4 quilos, ante 15,2 quilos em 2015.

O bom desempenho das exportações vai permitir ao setor receitas de US$ 1,4 bilhão neste ano com a carne suína, 13% acima do desempenho de 2015.

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Só com oração Uma das preocupações do setor brasileiro de carnes é se manter longe de eventuais problemas sanitários. Com relação ao bioterrorismo, Francisco Turra, da ABPA, diz que "só com orações".

Agricultura digital A The Climate Corporation, subsidiária da Monsanto Company, contará com cem produtores de soja e milho de Mato Grosso, Goiás e Bahia testando o aplicativo FieldView. A área de testes no país abrangem entre 150 mil e 200 mil hectares.

Gerenciamento O aplicativo permitirá ao produtor obter e gerenciar informações de sua lavoura por meio da geração automática de mapas e relatórios de plantio e colheita, marcações georreferenciadas de monitoramento e integração de informações de diferentes.

Pierre Duarte/Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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