Vaivém – Guerra comercial faz China ter menor participação na soja dos EUA em 16 anos

Após compra de 60% da oleaginosa exportada pelos americanos em 2017, chineses importam apenas 29% neste ano

Ferrenhos apoiadores de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, os produtores agrícolas começam a perder a paciência com o presidente americano.

A desconfiança começou com a guerra comercial com a China, cujo efeito foi uma intensa redução das exportações de produtos do agronegócio dos americanos para os chineses.

A irritação mais recente dos produtores veio com a mudança de política de etanol feita pela equipe do presidente.

Ao desobrigar 31 refinarias de misturar etanol à gasolina, Trump reduziu a demanda pelo etanol, mexeu com os preços do combustível e do milho e beneficiou grandes corporações petrolíferas, segundo os produtores.

Soja no Brasil

Colheira de soja na fazenda Lagoa Santa em Guaíra, no interior de SP

Colheira de soja na fazenda Lagoa Santa em Guaíra, no interior de SP Ricardo Benichio/Folhapress

O ano-safra 2018/19 dos americanos se encerra em oito dias, e os números deixados pela guerra comercial são preocupantes.

Item importante na balança comercial dos Estados Unidos, asexportações de soja dos americanos aos chineses caíram para apenas 14,1 milhões de toneladas nesta safra. É o que apontam os registros de exportação de até 15 deste mês.

O resultado dessa disputa comercial entre as duas potências é que a China termina a safra 2018/19 com participação de apenas 29% nas exportações totais de soja dos Estados Unidos. É a menor participação chinesa desde a safra 2002/03, conforme dados elaborados pela AgRural.

Antes dessa crise comercial entre os dois gigantes, os chineses compravam 60% da soja colocada no mercado externo pelos americanos.

O resultado é que os armazéns dos EUA chegam ao término deste ano-safra com 29 milhões de toneladas em estoque, um volume nunca atingido antes. No ano anterior, eram apenas 12 milhões.

O sufoco dos americanos não acaba aí. As projeções do Usda (Departamento de Agricultura dos EUA) ainda indicam estoques de 21 milhões de toneladas em 31 de agosto de 2020.

As exportações americanas para todos os destinos, que atingiu 61 milhões de toneladas em 2016/17, devem terminar esta safra próximo dos  49 milhões.

Os brasileiros se apoderaram de boa parte dessa fatia que os americanos deixaram de vender para os chineses.

PRODUÇÃO DE ETANOL DE MILHO SOBE 70% NO BRASIL

A produção de etanol de milho deverá atingir 1,35 bilhão de litros na safra 2019/20, segundo estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Se confirmado, esse volume superará em 70% o do período anterior. Corte manual da cana de açúcar

Trabalhador rural faz corte manual de cana na região de Piracicaba (SP)

Trabalhador rural faz corte manual de cana na região de Piracicaba (SP) Joel Silva/Folhapress

Mato Grosso liderará a produção, atingindo 1,04 bilhão de litros no período, 449 milhões a mais do que na safra anterior.

A Conab estima que a moagem de cana-de-açúcar atinja 622 milhões de toneladas nesta safra, estável em relação à anterior.

A produção de açúcar, após queda na safra passada, volta a subir, somando 31,8 milhões de toneladas.

A de álcool permanece elevada, mas recua para 30,3 bilhões de litros em 2019/20, uma queda de 6,4% em relação ao período anterior.


Safra de café  Os cafeicultores já colocaram pelo menos 98% da produção estimada nesta safra em seus armazéns. Segundo Gil Barabach, consultor da Safras & Mercado, a colheita 2019/20 deverá somar 58,9 milhões de sacas.

Vendas  Devido às necessidades de caixa dos produtores, as vendas desta safra estão avançadas. Na avaliação do consultor, atingem 43%. A média dos últimos cinco anos para o período é de 37%.

Vaivém das Commodities

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha

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