Vaivém – Fusão de ministérios gera divergência no agronegócio

Para alguns, união vai trazer problemas da área ambiental que não devem ser tratados no setor agrícola

A fusão dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente não é consenso no setor do agronegócio.

Para alguns, essa união vai trazer para a agricultura problemas específicos da área ambiental que não devem ser tratados no setor agrícola.

Pautas ambientais de vários setores industriais, como os da química e mineração, vão se somar às próprias da agricultura.

Os futuros ministros Onyx Lorenzoni e Paulo Guedes após discutirem superministérios no RioOs futuros ministros Onyx Lorenzoni e Paulo Guedes após discutirem superministérios no Rio – Avener Prado/Folhapress

Para outros, já que Jair Bolsonaro quer reduzir o número de ministérios, essa fusão de Agricultura e Meio Ambiente pode ser um caminho.

“É um equívoco”. Essa é a avaliação do deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), ex-secretário de Agricultura do estado de São Paulo e há anos engajado no setor do agronegócio.

“Trazer o Ministério do Meio Ambiente para o âmbito da agricultura é deixar de ter o foco onde ele precisa estar: nos centros urbanos. A agricultura tem suas regras ambientais, e um dos exemplos é que, cada vez mais, gera energia limpa para o país", afirma.

Já o presidente da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso), Antonio Galvan, concorda com a união.

“A questão ambiental virou ideologia interna, que tenta atrapalhar nosso trabalho.”

Segundo ele, ninguém quer cometer ilegalidades nesse setor, mas deve haver agilidade nos processos ambientais. A morosidade nas aprovações dificulta não apenas o setor privado como também as obras públicas do país.

“É preciso retirar a ideologia dessas discussões”, diz. 

“A tentativa de união dos ministérios é válida. Deve-se criar uma secretaria dentro Ministério da Agricultura, mas que ela tenha agilidade."

O futuro ministro que assumirá essas pastas unificadas poderá realmente perder o foco das questões específicas da agricultura.

Nos últimos dois anos, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, tem despendido grande parte de seu tempo apagando incêndios no setor.

Foram várias operações da Polícia Federal apontando desvios no controle sanitário e na qualidade da carne de algumas empresas.

Do lado do Meio Ambiente, o cenário também não foi tranquilo, principalmente após a ruptura da barragem de Mariana (MG). Serão muitos, e bastante diversificados, os problemas a serem enfrentados.

LEITE MANTÉM QUEDA DE PREÇOS NO CAMPO, MOSTRA CEPEA

Os consumidores deverão ter um alívio no bolso na compra do leite nos próximos meses. Pelo segundo mês consecutivo, os preços caem no campo.

O consumo fraco, a recuperação lenta da economia e os preços elevados do produto, em relação aos do ano anterior, dificultam as vendas.

O valor do leite entregue pelos produtores às indústrias em setembro, cujo pagamento foi neste mês, recuou para R$ 1,44 por litro, 2,4% a menos do que em setembro, quando a queda havia sido de 6,6%.

Apesar dessas quedas, o leite acumula alta de 39% neste ano, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

A previsão é de mais redução de preços dos próximos meses. A oferta deverá aumentar com a melhoria das pastagens e a produtividade cresce.

DATAGRO ELEVA ESTIMATIVA DE DÉFICIT MUNDIAL DE AÇÚCAR

A consultoria Datagro elevou ainda mais a estimativa de déficit mundial de açúcar na safra 2018/19.

A safra, que começou neste mês, deverá ter uma oferta mundial do produto de 1,58 milhão de toneladas a menos do que o que vai ser consumido.

Em 2019/20, o déficit deverá ser maior ainda, somando 7,57 milhões de toneladas. Na safra encerrada no final de setembro último, a oferta mundial de açúcar superou em 7,54 milhões o consumo mundial.

Plinio Nastari, da Datagro, refez as estimativas de déficit devido à ocorrência de clima seco em várias das principais regiões mundiais produtoras.

Vaivém das Commodities

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha