Vaivém – Exportação de grãos bate recorde em volume, mas receita mantém queda

 

Os portos brasileiros nunca estiveram tão ativos no segundo semestre como neste ano. A soja, cujas exportações normalmente diminuem no segundo semestre, atingiu volume recorde de julho a outubro.

O mesmo ocorre com o milho, cujo período mais forte de exportação é no segundo semestre.

Com os dados divulgados nesta terça-feira (3) pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior), e referentes a outubro, saíram 19,9 milhões de toneladas da oleaginosa em grãos pelos portos nos últimos quatro meses. Esse volume é 36% superior ao de julho a outubro do ano passado.

Seguindo a tendência normal de todos os anos, quando boa parte da safrinha de milho é exportada neste período, as vendas externas de milho também estão aceleradas.

De julho a outubro, o país colocou 12,6 milhões de toneladas do cereal no exterior, um recorde para o período.

O volume destes quatro últimos meses supera em 41% o de igual período de 2014, segundo dados da Secex.

Embora o ritmo das exportações seja intenso, as receitas desses dois produtos não avançaram muito, devido ao forte recuo dos preços no mercado internacional.

O preço médio da tonelada de soja, que foi de US$ 509 nas exportações brasileiras de julho a outubro do ano passado, recuou para US$ 372 neste ano, queda de 27%.

Embora com queda menor, o milho também perde preço no mercado externo. Com isso, as exportações brasileiras do cereal foram feitas, em média, a US$ 168 por tonelada, 11% menos do que em igual período do ano passado.

O Brasil se beneficia do dólar elevado, que torna o produto norte-americano -um dos principais concorrentes do Brasil nesse setor- mais caro, enquanto o brasileiro fica mais competitivo.

Volume maior, mas preços menores, fez com que apenas milho, celulose e óleo de soja obtivessem mais receitas no acumulado deste ano do que de janeiro a outubro do ano passado.

A celulose é um dos fiéis da balança comercial neste ano. Demanda forte, presença marcante do Brasil no exterior e preços em alta fazem com que o país já acumule US$ 4,6 bilhões de receitas neste ano, 6% mais do quem em 2014.

Já as receitas acumuladas com milho subiram para US$ 3,1 bilhões, 15% mais; as com óleo de soja aumentaram para US$ 880 milhões, 3% mais.

Apesar dessa queda no acumulado do ano, o mês de outubro registra uma situação melhor do que o de setembro.

Entre os 16 principais produtos do agronegócio relacionados na balança comercial, 10 obtiveram mais receitas no mês passado.

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Receitas A Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) estima que as receitas do complexo soja fiquem em US$ 24,8 bilhões neste ano, ante US$ 31,4 bilhões em 2014. Para 2016, a estimativa é de US$ 26,7 bilhões.

ADM As receitas do terceiro trimestre recuaram para US$ 16,6 bilhões, 8% menos do que em igual período do ano passado. Já as vendas acumuladas até 30 de setembro recuaram para US$ 51,3 bilhões, 15% menos.

Lucro O lucro líquido da empresa caiu para US$ 252 milhões no terceiro trimestre, ante US$ 747 milhões no mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, está em US$ 1,13 bilhão.

Margens apertadas A demanda por grãos continuou sólida no terceiro trimestre, mas os estoques elevados, as vendas brasileiras -devido ao real fraco- e o dólar forte nos Estados Unidos reduziram a competitividade das exportações norte-americanas, principalmente as de milho e de trigo.

Leite O preço líquido do preço pago ao produtor por litro foi de R$ 0,971 no mês passado, com queda de 1,15%. Em relação a outubro do ano passado, os preços atuais tiveram queda real de 9%.

Produção Os dados são do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), que registrou ainda, em setembro, uma captação de leite 3,3% superior à de agosto. Em relação a setembro do ano passado, o aumento foi de 8,1%.

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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