Vaivém – Exportações de carnes perdem fôlego e recuam 13% em relação a outubro

Quando comparados os números deste mês com os de novembro do ano passado, a queda é de 15,5%

As exportações brasileiras de carnes perderam o ritmo acelerado do mês passado. O Brasil está exportando, em média, 20,2 mil toneladas de carne bovina, suína e de frango por dia útil neste mês, um volume 13% inferior ao de outubro.

Quando comparados os números deste mês com os de novembro do ano passado, a queda é de 15,5%. As vendas se referem apenas às carnes "in natura".

As empresas ligadas à produção e à exportação estão avaliando com cuidados esses números.

Esperavam volumes maiores, principalmente devido aos novos frigoríficos liberados para exportar para a China.

Granja no PR; em relação a novembro de 2018, exportação cai 15,5%Granja no PR; em relação a novembro de 2018, exportação cai 15,5% – Adriano Vizoni – 9.mar.2018/Folhapress

Os chineses ainda mantêm uma demanda acelerada, e foram liberadas cinco novas unidades exportadoras recentemente para o país, segundo um representante do setor.

Segundo ele, ainda há um ânimo nas empresas exportadoras, e essa queda nas exportações deste mês poderia ser apenas um atraso na apuração dos números.

Com os dados coletados até agora pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior), a exportação de carne suína voltaria a ficar abaixo de 50 mil toneladas neste mês, somando 44 mil. No mesmo período, a de frango cairia para 240 mil, e a bovina, para 120 mil.

A principal retração nas vendas externas deste mês ocorre com a carne bovina, que deverá ter redução de 25% em relação a outubro.

Se mantido esse ritmo, o país colocará apenas 120 mil toneladas de carne bovina "in natura" no mercado externo, bem abaixo das 160 mil de outubro. Parte dessa queda pode ser atribuída ao número menor de dias em novembro.

Apesar desse recuo, os exportadores brasileiros mantêm um novo patamar nas exportações de carne bovina. Pelo 17° mês consecutivo, vão comercializar mais de 100 mil toneladas dessa proteína no exterior.

Pelos números apontados até agora pela Secex, as receitas dos exportadores brasileiros recuam para US$ 1,07 bilhão neste mês, 20% menos do que o US$ 1,35 bilhão de outubro. Os dados se referem às carnes bovina, suína e de frango. Só a bovina deverá render US$ 588 milhões neste mês.

EM QUEDA

O agronegócio terminará o ano com receitas de exportações inferiores às do ano passado. Em alguns casos, como o do milho, o país até elevou o volume exportado, mas os preços médios das commodities recuaram. Uma das poucas exceções ocorreu com as carnes, que, devido à demanda chinesa, têm valores superiores aos de há um ano.

Entre os 12 principais produtos do agronegócio na lista de exportações deste mês, apenas 4 têm alta, em comparação a novembro de 2018. A soja, carro-chefe do setor, está sendo comercializada a US$ 367 por tonelada, 7% menos. A celulose, que foi um importante item na pauta de exportações no ano passado, está com queda de 24%. Mesmo milho e algodão, que ajudaram a impulsionar as receitas deste ano devido ao volume maior de exportação, têm queda de preço de 7% e 2%, respectivamente, de acordo com dados da Secex.

Milho compensa Até novembro, as exportações de soja são 10 milhões de toneladas inferiores às de igual período de 2018. Já as vendas externas de milho somaram 41 milhões, superando em 22 milhões as dos 11 primeiros meses de 2018. Os dados de novembro são estimados.

Plantio Mato Grosso, principal produtor de soja, já semeou 99% da área que será destinada ao produto. Paraná e Mato Grosso do Sul também estão prestes a terminar o plantio, que já soma 79% no país, segundo a AgRural.
Nunca antes O Brasil colocou 110,2 milhões de toneladas de milho e de soja no mercado externo neste ano, um volume nunca atingido antes. Em 2018, quando as exportações de soja atingiram volume recorde, o total havia sido de 98,5 milhões.

Nunca antes 2 Houve uma compensação entre os dois produtos neste ano. Em 2018, as vendas externas de soja haviam atingido 79 milhões de toneladas, mas as de milho haviam ficado em apenas 19 milhões, de acordo com os dados da Secex.

Vaivém das Commodities

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A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha

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