Vaivém – Exportações de carne brasileira ficam imunes ao coronavírus em fevereiro

Vendas externas tiveram mês de aceleração nas vendas

O coronavírus, por ora, não afetou as exportações do agronegócio. As carnes, um dos produtos que, se acreditava, seriam mais afetados devido à queda da demanda em razão da forte incidência da doença na China, tiveram um mês de forte aceleração nas vendas.

A soja, que tradicionalmente assume o posto de principal produto exportado nos primeiros meses do ano, manteve essa escrita em fevereiro.

A chegada da soja do campo aos portos brasileiros, devido ao período de colheita, forçou um ritmo menor das exportações de milho.

A agropecuária teve uma receita média diária de US$ 148 milhões no mês passado, o que rendeu US$ 2,7 bilhões no mês. Produtos oriundos da indústria de transformação, como açúcar, carnes e celulose, estão fora desse cálculo.

Os dados são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) e foram divulgados nesta segunda-feira (2).
As exportações médias de carnes "in natura" (bovina, supina e de frango) de fevereiro conseguiram superar até as de dezembro de 2019, um período de euforia para o setor.

Ricardo Santin, diretor-executivo da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), diz que está havendo alguns acertos na programação das vendas, mas a carne está chegando aos países importadores, principalmente na China.

Funcionário em frigorífico no interior de SP – Ana Paula Paiva – 28.jun.12/Valor/Folhapress

No caso chinês, o produto, às vezes, é entregue em porto diferente do programado, o que acarreta um custo a mais.

Santin diz que a demanda neste primeiro trimestre não apresenta sinais de queda e que, na avaliação dele, deverá haver uma aceleração ainda maior no segundo.

Para retirar os produtos essenciais dos portos, os chineses estão fazendo corredores especiais por onde passam alimentos, remédios e ração.

Mas há uma preocupação, segundo o diretor da ABPA. Um avanço indiscriminado do vírus, provocando uma recessão mundial, traria uma queda forte da demanda.

No fim de 2019, as exportações de carne suína somaram 3.100 toneladas por dia. Recuaram em janeiro, mas subiram para 3.200 no mês passado.

As exportações de fevereiro de frango também superaram as de dezembro. Somaram 18 mil por dia útil –foram 18 dias úteis no mês.

Os dados da Secex indicam que as vendas externas de carne de frango, em fevereiro, superaram em 31% as de janeiro. Também aquecidas, as carnes suína e bovina tiveram evolução de 19% e 15%, respectivamente, no mesmo período.

Quanto à soja, saíram 5,1 milhões de toneladas no mês passado pelos portos brasileiros, um volume que esteve perto do recorde para os meses de fevereiro, que foi registrado no ano passado. Para este mês, estão previstas exportações de 10,6 milhões de toneladas.

Turistas usam mascaras para visitar parque em Pequim

Turistas usam mascaras para visitar parque em Pequim Wan Zhao/AFP

O milho teve caminho inverso ao da soja. As exportações de fevereiro recuaram 33% em relação às de janeiro. Foi o pior desempenho nos meses de fevereiro desde 2012.

O Brasil não repetirá o volume recorde de milho colocado no mercado externo em 2019, quando as exportações somaram 43 milhões de toneladas.

Já as vendas de soja deverão se concentrar no primeiro semestre. No segundo, a China, principal importador mundial, se voltará para os Estados Unidos para cumprir o acordo fase 1, assinado entre os dois países, para amenizar a guerra comercial.

O algodão teve um dos piores desempenhos do setor. As exportações médias diárias recuaram 33%, em quantidade, mas ainda são 102% superiores às de fevereiro de 2019.

As vendas de açúcar superaram as de dezembro e mantiveram o patamar de janeiro. No mês passado, foram 73 mil toneladas por dia útil. Destas, 9.000 foram de açúcar refinado.

Vaivém das Commodities

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

Fonte : Folha

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